NOS ESCOMBROS DO REAL A FICÇÃO COMO ESTRATÉGIA EVASIVA (NA PRÓPRIA FICÇÃO): MEMÓRIA, IMAGINAÇÃO E REALIDADE NO ROMANCE DISTÓPICO DE MARGARET ATWOOD THE HANDMAID’S TALE (1985)

  • Ricardo Afonso Mangerona Universidades Nova de Lisboa / Université de Lyon 2

Resumo

Analisando o percurso nocturno (nos sete capítulos “Noite”) da protagonista, pretende-se mostrar como nele opera um processo de reconstrução do real próximo da criação ficcional. O processo, com base, a um tempo, na imaginação e memória afectiva da heroína e em fragmentos da realidade factual, proporciona-lhe, até certo momento da narrativa, um mecanismo de defesa e abrigo (nocturno) perante a realidade decadente (diurna), mas acaba por se perverter, também ele, contagiado pela mesma decadência. Partimos, para essa análise, do conceito ricoeuriano de utopia, enquanto deformação compensatória da realidade, e do exemplo clássico de D. Quixote, sem, contudo, orientar a reflexão num estudo de natureza comparativa. Conclui-se com a utilidade do engenho na validação alegórica da narrativa distópica.

Palavras-chave

Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale, Ficção, Realidade, Distopia

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Publicado
2018-12-27
Como Citar
MANGERONA, Ricardo Afonso. NOS ESCOMBROS DO REAL A FICÇÃO COMO ESTRATÉGIA EVASIVA (NA PRÓPRIA FICÇÃO): MEMÓRIA, IMAGINAÇÃO E REALIDADE NO ROMANCE DISTÓPICO DE MARGARET ATWOOD THE HANDMAID’S TALE (1985). Biblos, [S.l.], n. 4, p. 61-81, dez. 2018. ISSN 2183-7139. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/biblos/article/view/6099>. Acesso em: 20 jan. 2019.
Secção
Refúgios