Vol. 1, n. 2 (Julhode 2017): Um mapeamento da literatura brasileira contemporânea

2016-10-02

Mapear um campo de saber é, por regra, a forma preliminar com que se pode construir um objeto crítico complexo. No caso da literatura contemporânea brasileira, trata-se de um exercício permanentemente precário, destinado a deixar sempre inúmeras incompletudes. Antes de tudo porque a noção de contemporâneo é escorregadia e por sua vez instável, como aliás mostra um ensaio de sucesso desbordante no Brasil, como aquele de Giorgio Agamben. É por isso que talvez  valha a pena especificar desde logo que a periodização a considerar, neste quadro, não é uma produção indeterminada que decorre de um conceito vago ou abstrato de contemporâneo, mas aquela que surgiu depois da virada do milénio. Trata-se de um divisor de água mais prático do que fundamentado. Ao mesmo tempo porém, a demarcação permite acompanhar tendências literárias que já estavam em andamento na época anterior: por exemplo, entre os casos mais evidentes, pode se mencionar a literatura das periferias ou a literatura marginal que assumiu na última década do século uma visibilidade macroscópica, ou o retorno das formas breves, tanto na prosa como na lírica, que tem vindo a criar combinações inovadoras sobretudo na aliança da literatura com a internet 2.0 (blogues, social networks etc.). Também, a literatura contemporânea é o lugar onde as vicissitudes do País são repensadas à procura de uma inscrição, ainda que só como sobrevivências ténues: pense-se por exemplo quanto os rastos da ditadura civil militar brasileira ainda influenciam em particular a prosa recente ou como fatos quais as Jornadas de Junho, apesar de permanecerem ainda opacas para a exegese historiográfica contemporânea, pelo contrário encontraram formas literárias antológicas. Tudo concorre para formar um quadro temporário, onde a vitalidade e a força da literatura brasileira encontram, no gesto do mapeamento, não tanto um registo definitivo, mas uma imagem que, embora em movimento, funciona como sinal de um tempo que, como sempre, se esvai.     
 

Temário

  • Romance, poesia, conto contemporâneos: leituras
  • Linhas de força da literatura brasileiras de 2000 a hoje: visões de conjunto
  • Novas vozes, novos movimentos e novas formas da literatura brasileira hoje
  • Internet e literatura
  • Literatura e política hoje
  • Os espaços misturado da literatura contemporânea
  • Crítica literária e literatura contemporânea

 

“A mapping of contemporary Brazilian literature”

Mapping a field of knowledge is, generally, a premilinary way to put up a complex critical object. In the case of Brazilian literature, such exercise seems to be consistently precarious, destined to fall short of its aims and to produce a number of blank spots. This happens, before anythng else, because the notion of ”contemporary” is both slippery and unstable, as a Giorgio Agamben’s essay – highly successful in Brazil itself – clearly shows. This is why it may be worth to specify beforehand that the time-lapse to be considered within this context will not derive from a vague or abstract notion of the ”contemporary”, but from the version of the notion that arose after the turn of the millennium instead. It is a practical rather than a grounded watershed. At the same time, though, this specific line of demarcation allows us to keep up with literary trends already undergoing in preceding times: for instance, among other evident cases, we could mention the peripheral and/or marginal literature that benefited from macroscopical exposure; or the return of brief forms, both in prose and in poetry, that have generated innovative combinations especially manifest in the alliance between literature and internet 2.0 (blogs, social networks, etc.). Also, contemporary literature is the place where the circumstances of a country can be re-thought when looking for a means of inscription – even though only as thin instances of survival: think, for instance, on how the traces of the Brazilian military dictatorship still influence recent prose; or how the ”Jornadas de Junho” (2013), although still opaque to contemporary historical exegesis, have found on the other hand anthological literary forms. Everything piles up to form a temporary setting, in which the vitality and strength of Brazilian literature find, from mapping gestures, not a definitive register but an image that, alhtough in motion, work as the sign of an era that, as every era, is waning.
 

Topics:

  • Novels, poetry, contemporary short-stories: readings;
  • Main Lines of Brazilian literature from 2000 to present time: overviews;
  • New voices, new movements, new forms in Brazilian literature today;
  • Internet and literature;
  • Literature and politics today;
  • The blended spaces of contemporary literature;
  • Literary criticism and contemporary literature.

Call for Papers por/by Roberto Vecchi