CORPOS ESTRANHOS: DIFERENÇAS ÉTNICAS E CONSTRUÇÕES RACIAIS NA CULTURA VISUAL DO RENASCIMENTO

  • Maria José Goulão CEAACP / FBAUP

Resumo

É no Renascimento que a Europa, influenciada pelas viagens de navegação e exploração, manifesta um
interesse renovado pela representação do corpo extra-europeu. A inclusão de novos continentes no campo
de visão europeu dará origem a novas formas de representação, que correspondem por vezes a formas
de não-visão, ou de visão distorcida. A Europa irá representar o corpo estranho do Outro, negociando a
sua imagem de forma a incorporar spolia e exotica, mas não se esgota nestas “excentricidades”. Saberá
também classificar a novidade dentro de categorias familiares, procurando proximidades e semelhanças
que assumem os costumes europeus como ponto de partida.
O nativo americano não é assim construído como um Outro radicalmente diferente, mas antes traduzido
num arquétipo familiar, governado pela lógica da similitude e conformado aos mundos estranhos, mas
relativamente confortáveis para a mente europeia, já antes imortalizados nos textos da Antiguidade e
continuados nas narrativas de viagens mais recentes.

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Publicado
2015-04-14
Como Citar
GOULÃO, Maria José. CORPOS ESTRANHOS: DIFERENÇAS ÉTNICAS E CONSTRUÇÕES RACIAIS NA CULTURA VISUAL DO RENASCIMENTO. digitAR - Revista Digital de Arqueologia, Arquitectura e Artes, [S.l.], n. 2, p. 65-86, abr. 2015. ISSN 2182-844X. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/digitar/article/view/2231>. Acesso em: 21 out. 2017.
Secção
II - Entre Deuses e Demónios

Palavras-chave

Cultura visual; Renascimento; Iconografia; Figuração do índio; Homem selvagem