CORPOS MARGINADOS NA ARTE MEDIEVAL

  • Joana Antunes CEAACP

Resumo

As margens da arte medieval, no limite possível da sua elasticidade cronológica e tipológica, têm sido
lidas à luz de uma transgressividade ora espontânea, ora premeditada, que encontra na representação
do corpo humano, da sua aparência, da sua gestualidade, da sua frequente desumanização, o indicador
aparente de uma separação estável entre centro e margem.
Reconhecendo o corpo e a sua representação como recipientes de tensões visualmente codificadas,
procurar-se-á apresentar a marginação enquanto processo que torna intrinsecamente marginal e dota de
alteridade uma imagem sem que ela sofra um radical processo de separação do entorno físico que lhe
confere sentido. Partindo do manuscrito iluminado, suporte cuja natureza mais cedo propiciou uma clara
articulação entre centro e margens, texto e imagem, objectiva-se a reflexão em torno do lugar da margem
na arte medieval para um entendimento da sua polissemia, do seu potencial semântico e simbólico, através
da forma como o homem medieval se representou a si próprio em situação de liminaridade.

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Publicado
2015-04-14
Como Citar
ANTUNES, Joana. CORPOS MARGINADOS NA ARTE MEDIEVAL. digitAR - Revista Digital de Arqueologia, Arquitectura e Artes, [S.l.], n. 2, p. 87-121, abr. 2015. ISSN 2182-844X. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/digitar/article/view/2232>. Acesso em: 17 ago. 2017.
Secção
II - Entre Deuses e Demónios

Palavras-chave

Corporeidade; Marginação; Transgressão