“MAS ENTÃO, O QUE SERIA A CRÍTICA?” BALZAC LÊ STENDHAL, MACHADO LÊ EÇA

  • Marta de Senna Fundação Casa de Rui Barbosa/CNPq

Resumo

Em 1840, Balzac escreveu um artigo sobre La Chartreuse de Parme, de Stendhal. Embora louvasse as qualidades do romance, nos parágrafos finais Balzac é muito crítico e nos leva a inferir que o que critica é que o livro não é o que ele, Balzac, teria escrito. Em 1878, Machado de Assis escreveu dois artigos sobre O primo Basílio, de Eça de Queirós, então recentemente publicado. Identificando afinidades entre Eça e Balzac e entre Machado e Stendhal, o presente artigo argumenta que a crítica do brasileiro ao romance português baseia-se nessa afinidade. Em outras palavras: a condenação à submissão de Eça ao Realismo/Naturalismo tem origem na necessidade do próprio Machado de criar personagens que sejam “pessoas morais”, cujas ações são deflagradas por seus motivos mais recônditos. Entre tais motivos, destaca-se a prevalência da vontade sobre o intelecto, do interesse pessoal sobre a influência das circunstâncias, o que se assemelha mais aos heróis de Stendhal do que aos de Balzac, modelo este que Eça admite ter tentado emular no início de sua carreira de romancista.

Palavras-chave

Machado de Assis, Eça de Queirós, Balzac, Stendhal, realismo-naturalismo

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Publicado
2017-12-27
Como Citar
DE SENNA, Marta. “MAS ENTÃO, O QUE SERIA A CRÍTICA?” BALZAC LÊ STENDHAL, MACHADO LÊ EÇA. Revista de Estudos Literários, [S.l.], v. 6, p. 135-155, dez. 2017. ISSN 2183-847X. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/rel/article/view/4885>. Acesso em: 26 abr. 2018.