ADÃO E EVA SEGUNDO EÇA E MACHADO

  • Paul Dixon Purdue University

Resumo

Tanto Eça de Queirós como Machado de Assis escreveram contos sobre Adão e Eva, desfamiliarizando de modos diferentes a narrativa bíblica original. Seus desvios dessa fonte são consistentes com os programas estéticos que os dois estabeleceram para sua produção como um todo. Por meio de detalhes bem escolhidos, Eça cria um tipo de Jardim de Éden darwiniano, que constantemente põe em prova os pais originais, ameaçando sua sobrevivência, e no processo facilitando seu lento desenvolvimento, até se tornarem os aptos seres humanos que conhecemos. O conto de Machado não é nem romântico nem naturalista, mas sim um divertimento peculiar, filosófico e metaliterário, que joga com os recursos estabelecidos da arte de narrar. Um conto com relato intercalado, no qual o narrador do conto interior acaba negando a validez de sua anedota, e criando um enunciador sem fundamento. O sentido de vertigem confusa que se produz nos ouvintes daquele narrador implicitamente sugere a recepção antecipada do leitor do próprio conto. De maneiras diferentes, os relatos dos mestres de Portugal e do Brasil transtornam as suposições seguras dos leitores sobre Adão e Eva, incentivando um questionamento dessa sabedoria convencional.

Palavras-chave

Machado de Assis, Eça de Queirós, Éden, paródia, técnica narrativa, desfamiliarização, conto

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Publicado
2017-12-27
Como Citar
DIXON, Paul. ADÃO E EVA SEGUNDO EÇA E MACHADO. Revista de Estudos Literários, [S.l.], v. 6, p. 157-173, dez. 2017. ISSN 2183-847X. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/rel/article/view/4886>. Acesso em: 15 ago. 2018.