A DIMENSÃO FICCIONAL DAS FIGURAS HISTÓRICAS EM TEXTOS DE IMPRENSA QUEIROSIANOS: O CASO DE CARTAS DE LONDRES

  • Ana Teresa Peixinho

Resumo




Este artigo analisa os procedimentos de figuração utilizados por Eça de Queirós nas crónicas de imprensa, publicadas no jornal A Atualidade no fim da década de 70. Entendendo a escrita paraficcional queirosiana como um exercício de ensaio para estratégias ficcionais e, partindo do princípio da relevância que a personagem assume nos romances do escritor, demonstra- -se como são modeladas ficcionalmente as diversas figuras históricas que povoam estas crónicas. Examina-se como estas personagens são um caso especial daquilo a que podemos chamar de dupla figuração: aquela que é inicialmente feita pelo discurso de imprensa a que acresce a releitura de Eça. De facto, quer se trate das personagens históricas reconhecidas, quer de figuras do universo popular, todas elas resultam de uma seleção, sujeita ao crivo humorístico do cronista. Desconstruir, pela sátira e pelo ridículo, a seriedade e importância de um país como a Inglaterra, parte do imaginário civilizado europeu, parece ser uma das finalidades desta correspondência, dando continuidade a um tipo de registo tipicamente queirosiano, estimu- lado pela arguta capacidade de observador e de leitor crítico.




Palavras-chave

crónica, personagem, personagem histórica, figuração, Eça de Queirós, metalepse

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Publicado
2017-10-01
Como Citar
PEIXINHO, Ana Teresa. A DIMENSÃO FICCIONAL DAS FIGURAS HISTÓRICAS EM TEXTOS DE IMPRENSA QUEIROSIANOS: O CASO DE CARTAS DE LONDRES. Revista de Estudos Literários, [S.l.], v. 6, p. 219-237, out. 2017. ISSN 2183-847X. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/rel/article/view/4905>. Acesso em: 20 out. 2018.