AMOR CEGO E ROMANTISMO NO ROMANCE DE ROUSSEAU JULIE OU LA NOUVELLE HELOÏSE

Blind love, Romanticism, and Rousseauʼs novel Julie ou La Nouvelle Héloïse

  • Alexandra Schamel Ludwig-Maximilians-Universität München

Resumo

Este artigo averigua em que medida o romance epistolar de Rousseau Julie ou la Nouvelle Heloïse modifica o paradigma visual da antropologia do século XVIII, como se pode constatar na ideologia da natureza substancial rousseauniana, ao introduzir uma dinâmica que produz obscurité — uma inatingível dimensão de interioridade. A argumentação conduz à proposta de que as estratégias de ocultação do sujeito, mascarando e transformando a sua negrura/escuridão epistemológica num regime de virtude acutilante, recriam aspetos centrais da mentalidade romântica. O termo obscurité é mostrado como uma dinâmica semântica de “dessubstancialização” originada pela ferida de amor que requer permanentemente o supplément (Coelen, Derrida). A necessidade de subordinação sob o “olhar omnisciente” de Wolmar concretiza um processo de sublimação, no qual a semântica obscura do amor é transferida para áreas legítimas de expansão ontológica, tais como sonhos, memórias, melancolia e mesmo morte sacrificial — verdadeiros precursores do romantismo. Exemplos correlatos, enquadrados no contexto da pintura romântica, ilustram como Rousseau constrói estes fenómenos de limiar como substitutos semânticos (e espectrais) do afeto amoroso

Palavras-chave

romance epistolar, Romantismo, obscurité, supplément, olhar

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Biografia do Autor

Alexandra Schamel, Ludwig-Maximilians-Universität München

Alexandra Schamel studied in Munich and Rennes and obtained an MA in General and Comparative Literature, French and History at the University of Munich. Alexandra Schamel is author of the book “Der Schelmenroman als Antiromanze: Frauenbild und Liebesthema” (2003) [“The Picaresque Novel as Anti-Romance: Love and Gender”]. Her dissertation, titled “Die ästhetische Schwelle: Räume der Allegorie bei Baudelaire und Proust” [“Aesthetic Threshold: About Allegory in Baudelaire and Proust”], was published in 2015. She was a visiting scholar at the Institute of European Studies at UC Berkeley in 2017 and currently has a teaching assignment as lecturer at the Institute of General and Comparative Literature at the University of Munich. ’s research focuses on nineteenth and early twentieth century French literature and culture in the European context. She works on European Enlightenment and on its philosophical and anthropological background. In this context, she follows a book project about mask and authenticity in 18th century France (Marivaux, Rousseau, Laclos).

Publicado
2018-07-26
Como Citar
SCHAMEL, Alexandra. AMOR CEGO E ROMANTISMO NO ROMANCE DE ROUSSEAU JULIE OU LA NOUVELLE HELOÏSE. Revista de Estudos Literários, [S.l.], v. 7, p. 305-350, jul. 2018. ISSN 2183-847X. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/rel/article/view/5843>. Acesso em: 17 dez. 2018.
Secção
Secção Não-Temática