A “DESVAIRADA MÁQUINA DE PRODUÇÃO DA FICÇÃO” EM TEATRO, DE BERNARDO CARVALHO

  • Vania Pinheiro Chaves Universidade de Lisboa

Resumo

Bernardo Carvalho afirmou numa entrevista que o “romance é uma máquina desvairada de produção de ficção”. Este artigo visa demonstrar que, em
Teatro, a construção do ficcional assenta na complexificação/destruição do efeito de realidade, evidenciado no confronto quer entre o título e o relato,
quer entre a primeira e segunda partes da narrativa. A análise da intriga e das personagens revela que o romance se afasta da tendência frequente
na ficção brasileira para o realismo e o documental, prevalecendo nele a imaginação e a criação, tidas pelo autor como características essenciais da
literatura. Se bem que os acontecimentos narrados estejam impregnados de realidade, a história não pode ser lida como “real”, pois não se completa
perfeitamente e se contradiz. No entanto, as duas partes da obra se aproximam pelo enraizamento na contemporaneidade e por sua intriga e personagens problematizarem os laços que atualmente ligam os indivíduos, os territórios e as nações.

Palavras-chave

romance brasileiro, Bernardo Carvalho, Teatro, hipercontemporaneidade

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Publicado
2019-01-09
Como Citar
CHAVES, Vania Pinheiro. A “DESVAIRADA MÁQUINA DE PRODUÇÃO DA FICÇÃO” EM TEATRO, DE BERNARDO CARVALHO. Revista de Estudos Literários, [S.l.], v. 8, p. 129-144, jan. 2019. ISSN 2183-847X. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/rel/article/view/6172>. Acesso em: 17 fev. 2019.