As novas odisseias de Ulisses: políticas de saúde e a imigração em Espanha e na U.E.

  • J. Flávio Ferreira Centro de Estudos Sociais(CES), Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra, Portugal

Resumo

Vários são os fenómenos aparentemente isolados que vêm apontar uma relação entre as políticas punitivas e/ou de controlo populacional dos Estados e a “criminalização” de determinados grupos sociais. No entanto, se tomarmos como referência a própria crise vivenciada pela União Europeia, é possível perceber-se uma ambiguidade em relação à imigração “extracomunitária” na Europa contemporânea que ora intercambia o discurso punitivo com um discurso de “integração” baseado em políticas multiculturais. A síndrome de Ulisses, modelo psiquiátrico cada vez mais popular nos Estados da U.E. para explicar a sintomatologia específica de imigrantes não-europeus, vem evidenciar as contradições desta relação. Tanto no campo da “saúde”, quanto da política carcerária, a U.E. prolonga-se potencialmente como um laboratório do “olhar colonial”, no qual o imigrante extracomunitário - principalmente o “ilegal” - vem sendo crescentemente compreendido como um ser que se contrapõe à noção de “modernidade”. A partir da correlação Estado/política de controlo de fronteiras pretende-se aqui revisitar este complexo contexto em perspectiva pós-colonial crítica.
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Publicado
2012-06-06
Como Citar
FERREIRA, J. Flávio. As novas odisseias de Ulisses: políticas de saúde e a imigração em Espanha e na U.E.. Antropologia Portuguesa, [S.l.], v. 29, p. 167-181, jun. 2012. ISSN 2182-7982. Disponível em: <https://impactum-journals.uc.pt/antropologiaportuguesa/article/view/1884>. Acesso em: 24 maio 2019.
Secção
Artigos

Palavras-chave

Psiquiatria; imigração; síndrome de Ulisses; controlo social.