CHARACTERS DON’T NEED CLOSURE: A AVENTURA IMPRESSA E DIGITAL

Autores

  • Daniela Côrtes Maduro CLP, Universidade de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.14195/2183-847X_4_17

Palavras-chave:

personagem, desfecho, narratologia, ludologia, cibertexto, literatura eletrónica

Resumo

“Quem teve a sorte de nascer personagem pode rir até da morte. As personagens não morrem”, escreveu Luigi Pirandello em Seis personagens à procura de um autor (1921). Mesmo que estas sejam executadas pelo autor podem permanecer camufladas entre as letras até serem despertadas. A sua morte é apenas ensaiada e nunca é sinónimo de despedida. Porém, não é apenas o acto de leitura que estende a mão às personagens e que as resgata do esquecimento. Muitas vezes elas são reanimadas por outros média ou por outras formas de expressão. Elas comprovam que um livro não tem um carácter ensimesmado, nem está circunscrito ao seu peso e medida. Ao extrapolarem a fronteira de papel e ao instalarem-se noutros formatos, elas permitem igualmente concluir que o livro mantém um diálogo contínuo com outras formas de representação.

As personagens não temem a ambiguidade. Tanto embarcam numa sequência linear de eventos, como caminham sobre terreno irregular e enfrentam trilhos bifurcados. A noção de texto como um todo tem vindo a ser contrariada pela literatura impressa e pela literatura electrónica através das suas personagens. A construção de uma narrativa rizomática, a transgressão da barreira entre planos ficcionais, bem como a alteração do contrato entre autor e leitor antecederam a emergência do romance pós-modernista. Na literatura eletrónica é possível assistir a uma extensão desse processo com a adopção do computador como instrumento expressivo. Graças à sua capacidade de armazenamento de informação e velocidade de processamento, bem como à divisão entre interface e memória, é possível criar personagens dinâmicas que trocam autonomamente de posições ou identidade. Isto significa que o texto pode revelar um comportamento emergente e imprevisível. Este artigo pretende abordar o conceito de desfecho através da invocação de algumas personagens que embarcaram numa aventura impressa ou digital.

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Biografia Autor

Daniela Côrtes Maduro, CLP, Universidade de Coimbra

O seu trabalho de investigação tem sido dedicado à literatura eletrónica, ficção científica e cibercultura. Concluiu o Mestrado em Estudos Anglo-Americanos na Universidade de Coimbra com a tese intitulada Uma Criatura Feita de Bits: Ilusão e Materialidade na Hiperficção Patchwork Girl de Shelley Jackson (2009). Enquanto doutoranda no Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Universidade de Coimbra), recebeu uma bolsa individual de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É colaboradora do Centro de Literatura Portuguesa (Universidade de Coimbra).

Her research has been focused on electronic literature, science fiction and cyberculture. She has concluded her Master’s Degree in Anglo-American Studies (University of Coimbra) with the thesis titled A Creature Made of Bits: Illusion and Materiality in the hyperfiction Patchwork Girl by Shelley Jackson (2009). As a PhD student in the Doctoral Program «Advanced Studies in the Materialities of Literature» (University of Coimbra) she was awarded an individual doctoral grant by the Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT - Portuguese Foundation for Science and Technology). She is a collaborator of the Centre for Portuguese Literature at the University of Coimbra.

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Publicado

2016-01-20

Edição

Secção

Secção Temática