«A arte pós-Darwin»: política dos artefactos e da tecnologia a partir de uma experiência etnográfica
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_27_5Palavras-chave:
Agência, arte e ciência, arte robótica, bioarte, natureza, vidaResumo
Enquadrado no largo tema do lugar das biotecnociências na sociedade contemporânea, neste artigo procurou-se explorar a dimensão política das tecnologias e artefactos a partir de uma experiência de terreno na exposição Inside: Arte e Ciência. Tomando a corrente artística como uma potencial forma de amplificação do debate público sobre as técnicas e práticas artísticas e científicas, pensou-se a exposição como uma situação especial, um ambiente colectivo que, pelas suas propriedades, desperta impressões na sua experiência, condensando tensões entre significações e relações entre vários grupos de agentes (a proposta de construção de situações, da Internacional Situacionista, e os estudos de caso à maneira da Escola de Manchester, foram inspirações primárias). Com particular enfoque na ideia de “escolha técnica” e na de arte e tecnologia como sistemas de acção, destacam-se visões concorrentes de público e artistas sobre a manipulação da vida biológica e artificial – sustentadas em diferentes representações de vida e de natureza –, a agência dos artefactos e os direitos de autor. Conclui-se o relativo alheamento quotidiano destas questões e a importância de acompanhar etnograficamente iniciativas do género, que suscitam reflexão e põem em diálogo grupos normalmente desarticulados.
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