Body modification and paleopathological evidence in the iconography from the ‘Philosophical Travel’ to Brazilian Amazonia by Alexandre Rodrigues Ferreira (1783 – 1792)

Autores

  • Maria do Rosário Martins Universidade de Coimbra, Museu Antropologico | Universidade de Coimbra, Centro de Investigação em Antropologia e Saúde
  • Ana Luísa Santos Universidade de Coimbra, Departamento de Ciências da Vida | Universidade de Coimbra, Centro de Investigação em Antropologia e Saúde
  • Maria Arminda Miranda Universidade de Coimbra, Museu Antropologico | Universidade de Coimbra, Centro de Investigação em Antropologia e Saúde
  • Vítor Matos Universidade de Coimbra, Centro de Investigação em Antropologia e Saúde

DOI:

https://doi.org/10.14195/2182-7982_27_12

Palavras-chave:

Modificações corporais artificiais, nanismo, doenças dermatológicas, diagnóstico diferencial, abordagem biocultural, paleopatologia

Resumo

As representações iconográficas de indivíduos são importantes fontes de evidências para os paleopatólogos, sendo particularmente relevantes no processo de reconhecimento de práticas socioculturais em populações do passado e/ou extintas. Pretende-se com este trabalho reportar os casos de modificações corporais e outros de interesse paleopatológico presentes na iconografia registada pelo naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira (ARF), entre 1783 e 1792, no percurso da ‘Viagem Philosophica’ à Amazónia brasileira. Das remanescentes aguarelas, executadas pelos ilustradores oficiais da expedição, foram seleccionadas as que retratam modificações da cabeça, da face e do tórax, com os artefactos que lhes estavam associados, em indivíduos pertencentes aos grupos Tanarana, Cambeba, Jurupixuna, Mauá, Miranha, Caripúna e Uariquen. ARF também descreveu a forma com se processavam, bem como o significado cultural dessas práticas. Os inequívocos casos patológicos são os de um anão e de uma mulher Catauixi com lesões na pele. O autor descreve em detalhe esta última situação referindo possíveis diagnósticos (p. ex. vitiligo, sarna ou lepra) questionando igualmente a sua etiologia hereditária ou ambiental. O presente estudo, ao considerar as evidências documentais no contexto da investigação paleopatológica, contribui para o conhecimento das práticas culturais e das doenças que afectavam os habitantes da Amazónia no século XVIII.

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Publicado

2026-07-03