A máscara por detrás do véu do estigma: cabe o pen- samento de Lévi-Strauss numa reflexão sobre a expe- riência da lepra?
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_25_3Palavras-chave:
Lepra, estigma, silêncio, intencionalidade, máscaraResumo
A partir dos testemunhos de mulheres e homens que conheceram a lepra nos seus corpos e nas suas vidas, delineou-se um eixo hermenêutico que questiona os mecanismos de naturalização do estigma cravado na lepra, bem como a sua incorporação como ontologia do doente de lepra. Em vista a um desenlace analítico do nexo simbólico entre a lepra e o estigma, buscar-se-á entender a persistência do último na orla da identidade pública das pessoas enfermas de lepra (edificada nos territórios epistemológicos e políticos da modernidade ocidental), em articulação com os universos fenomenológicos que substanciam esta enfermidade e as respostas sociais que lhe são dirigidas. Atalhando a reiteração de um olhar dicotómico que encerra a agência na antinomia entre poder e resistência, far-se-á uso da cogitação de Lévi-Strauss (1981) sobre a máscara, enquanto dispositivo que sutura uma aparente contradição entre a expressão e a intencionalidade.
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