“Cinderela”: do conto de fadas à realidade. Perspectiva sobre os maus‑tratos infantis
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_23_5Palavras-chave:
Maus‑tratos infantis, violência familiar, investimento parental, vinculação parental, solicitude parentalResumo
A violência infantil é um fenómeno dramático que afecta, de formas diversas, todas as sociedades, tradicionais ou desenvolvidas. O fenómeno tem vertentes psicológicas, sociológicas e económicas conhecidas, embora permaneça difícil de caracterizar. Uma abordagem evolutiva oferece um novo quadro conceptual que permite explicar algumas características dos maus‑tratos infantis.
Este estudo aplica a hipótese de que a presença de um pai adoptivo constitui um importante factor de risco de ocorrência de violência infantil intrafamiliar (Daly e Wilson, 1988a e b), porque o parentesco entre pai/mãe adoptivo e criança é nulo, não havendo, evolutivamente mecanismos inibitórios da agressividade entre indivíduos não aparentados, como os que existem entre parentes. A amostra incluiu 100 crianças maltratadas, diagnosticadas no Instituto de Medicina Legal de Coimbra, em 2002 e 2003, com idades compreendidas entre os 0 e os 16 anos. Os resultados sugerem haver maior propensão para a violência nas famílias reconstituídas, destacando‑se a figura masculina como principal agressor. A violência atingiu crianças de todas as idades e sexos, sendo mais frequente o abuso sexual em raparigas com idades compreendidas entre os 10 e os 16 anos.
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