Transgressão corporal e cegueira: representações dilacerantes
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_23_7Palavras-chave:
Experiência incorporada, trauma, transgressão, cegueiraResumo
Determinadas experiências de compleição marcadamente corpórea, como
sejam a amputação de um membro, a perda de um sentido ou o surgimento de uma
disfuncionalidade orgânica gravosa, carregam consigo, não custa supor, fortíssimas implicações para a história pessoal dos sujeitos que as vivenciam. A violência ontológica passível de decorrer de tais eventos não se confina às implicações biológicas e fenomenológicas da transformação radical de um corpo/sede, conquanto as próprias descrições culturais permeiam essa transformação e essa violência. Mas, por outro lado, este tipo de experiência exprime, em termos gritantes, a insustentabilidade de determinado construtivismo que, ao procurar elidir o peso moderno de ideologias essencialistas de “biologia‑como‑destino”, negligenciou, muitas vezes ao limite, dimensões de existência em que o corpo vivido recolhe insolúvel centralidade. A partir de uma leitura etnográfica da cegueira, estas questões serão exploradas através da ideia de “angústia da transgressão corporal”.
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