Testemunhos de violência nos ossos humanos: um possível caso detectado num esqueleto romano exumado da Quinta da Torrinha/Quinta de Santo António – Monte da Caparica (séc. III‑V d.C.)
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_23_8Palavras-chave:
Paleopatologia, trauma, violência interpessoal, esqueleto romano, Quinta da Torrinha/Quinta de Santo AntónioResumo
O trauma é responsável por alguma incapacidade física entre os humanos actuais, tal como terá sido entre os nossos ancestrais. Apesar desta presença constante, a interpretação das lesões e a respectiva etiologia é bastante difícil em populações do passado, senão mesmo impossível, principalmente no que concerne ao estudo da violência interpessoal.
Neste trabalho, as evidências de trauma foram investigadas num esqueleto bem preservado, exumado da necrópole romana da Quinta da Torrinha/Quinta de Santo António (Monte da Caparica) (séculos III‑V d.C.). O indivíduo idoso do sexo masculino, provavelmente um soldado romano, exibia múltiplas fracturas focalizadas na clavícula e no primeiro metacárpico direitos, nas costelas esquerdas, nas vértebras e no sacro. O perónio direito apresentava um crescimento ósseo, eventualmente secundário a uma luxação. A morfologia e a distribuição das lesões poderão sugerir violência interpessoal. O facto das evidências osteológicas não serem conclusivas, impede que se exclua a hipótese dos traumatismos decorrerem de acidentes.
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