A quantificação do estatuto socioeconómico em populações contemporâneas e históricas: dificuldades, algumas orientações e importância na investigação orientada para a saúde
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_23_11Palavras-chave:
Estatuto socioeconómico, saúde, doença, desigualdades sociais, históriaResumo
As desigualdades socioeconómicas na doença e na saúde são o reflexo da organização social de qualquer sociedade. A investigação epidemiológica e antropológica actual na área da saúde considera o estatuto socioeconómico (ESE) como actuando para estratificar as populações humanas em grupos que expoêm a saúde individual, ora aos riscos, ora aos benefícios que o ambiente físico e social proporciona. Nesta medida, vários investigadores têm desenvolvido medidas do ESE de modo a quantificar a influência relativa dos factores sociais do ambiente que afectam, positiva ou negativamente, a saúde humana. Esta quantificação tem sido conseguida através da utilização de indicadores que fornecem informação empírica acerca da posição relativa de um determinado indivíduo na hierarquia social. Neste trabalho discute‑se o alcance e as principais limitações dos mais importantes indicadores do ESE, nomeadamente a ocupação profissional, o grau de instrução e o rendimento económico, no estudo de populações actuais e pretéritas. Conclui‑se que cada indicador avalia componentes diferentes do ESE e, consequentemente, isso determinará a sua escolha, ficando dependente de vários factores, sendo que em períodos históricos ela estará fortemente condicionada à disponibilidade de dados. No final deste trabalho é apresentado um modelo teórico que pretende conceptualizar o conceito de ESE numa perspectiva mais global e multidimensional. No modelo, pretende‑se estabelecer a ligação do ESE a mecanismos a jusante que determinam a susceptibilidade dos indivíduos à doença, e a mecanismos causais a montante que são responsáveis pela criação e manutenção da estrutura social de qualquer sociedade.
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