Conservação diferencial dos esqueletos humanos da série medieval de S. Martinho (Leiria): implicações para a paleodemografia e para a paleopatologia
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_23_12Palavras-chave:
Estado de conservação, esqueletos, factores tafonómicos, medievalResumo
Este artigo discute o estado de conservação dos esqueletos da série medieval exumada do cemitério associado à Igreja de S. Martinho (Leiria). Conhecer o estado de conservação dos vários esqueletos que compõem uma dada série osteológica é fundamental para se conseguir interpretar, entre outros, os resultados paleodemográficos. A análise estendeu‑se ao conjunto da amostra (n = 157) e a metodologia seguida consiste numa adaptação, feita pela autora, ao método de Dutour (1989). Este método tem como objectivo especificar que ossos fazem parte da amostra e se estão completos ou incompletos. A introdução de novos detalhes metodológicos tornou a aplicação do método mais precisa, pelo que se acredita que o erro intra‑observador foi reduzido. O Índice de Conservação Anatómica obtido para a série estudada foi de 47,5%, o que corresponde a um bom estado de conservação. Não se observaram diferenças significativas entre a amostra adulta e a infantil, nem entre homens e mulheres, o que poderá indicar que os diferentes grupos biológicos resistiram aos agentes tafonómicos de uma forma similar. Em contraste, a inumação em sepultura, englobando nesta categoria as valas escavadas no substrato geológico, promove a preservação das diferentes partes anatómicas, especialmente do esqueleto apendicular e das extremidades. Embora este método constitua uma abordagem quantitativa, e não qualitativa, ao estado de conservação dos vários esqueletos analisáveis, recomenda‑se vivamente a sua aplicação qualquer que seja o tamanho da amostra.
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