Onde estão as crianças? Representatividade de esqueletos infantis em populações arqueológicas e implicações para a paleodemografia
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_21_11Palavras-chave:
Amostras osteológicas humanas, esqueletos infantis, representatividade, paleodemografiaResumo
As amostras populacionais de restos ósseos humanos recuperados em contextos arqueológicos, constituem uma fonte de informação essencial sobre a demografia das sociedades do passado. No entanto, alguns elementos destas amostras, em especial as crianças muito jovens, encontram-se frequentemente sub-representados devido à conjugação de filtros de amostragem que os eliminam selectivamente. Uma vez que se pressupõe que a amostra seja representativa da população viva da qual deriva, esta sub-representação pode apresentar-se como um importante obstáculo à investigação paleodemográfica. Pretende-se com este trabalho oferecer uma discussão da problemática da sub-representatividade da categoria infantil em séries osteológicas e da sua influência na estimativa de parâmetros paledemográficos. Esta problemática resulta da especificidade etária dos vários filtros selectivos que estão relacionados com práticas funerárias específicas, com a maior susceptibilidade do osso imaturo à destruição por agentes tafonómicos e com erros metodológicos associados à recuperação arqueológica de séries osteológicas. Os dois principais métodos que procuram solucionar o problema da sub-representatividade infantil são os estimadores paleodemográficos baseados no índice de juvenilidade ou o ajuste de tabelas-tipo de mortalidade. Apesar das vantagens e dos problemas de cada abordagem, os dados da demografia histórica parecem constituir o único método objectivo de avaliar a fiabilidade da reconstrução paleodemográfica realizada com base nos dados osteológicos.
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