A cegueira e as narrativas silenciadas: contornando os obstáculos, enfrentando o estigma
DOI:
https://doi.org/10.14195/2182-7982_18_5Palavras-chave:
Cegueira, deficiência visual, associativismo e experiência incorporadaResumo
Gravitando em torno da cegueira, sem dúvida uma importante limitação sensorial, procura-se constituir neste espaço uma reflexão que permita aceder aos múltiplos questionamentos que esta temática suscita, tomando-se como referência a persuasão da persistência e vitalidade de uma “narrativa da tragédia pessoal” (Oliver, 1990). Esta narrativa é aqui identificada e desvelada como suporte conceptual na produção e re-produção de um insidioso imaginário social sobre a cegueira e as pessoas cegas. Fundado numa experiência etnográfica junto da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), pretendo pulsar as implicações decorrentes da vitalidade dessa gramática hegemónica pouco sensível às vivências e à reflexividade das pessoas cegas, em particular, no modo como vinga em operar enquanto um regime de verdade nos constrangimentos económicos, sociais e políticos que impõe. Instigado pela disparidade forte que daqui resulta, invisto-me em aquilatar o que de resistente e capacitante emerge do discurso associativista das pessoas cegas, num percurso que proponho desbravar invocando o auxílio de uma bengala branca e no qual procurarei introduzir a incontornável pertinência do carácter incorpóreo da toda experiência enquanto extensão de uma leitura culturalmente contextualizada do corpo físico.
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