Um possível caso de sífilis adquirida num esqueleto oriundo da Ermida do Espírito Santo (séculos XV–XIX, Almada, Portugal)

  • Sérgio Rosa Câmara Municipal de Almada, Almada
  • Fernando Robles Henriques Câmara Municipal de Almada, Almada
  • Telmo António Câmara Municipal de Almada, Almada
  • Francisco Curate CIAS, ICArEHB, Laboratório de Antropologia Forense, Universidade de Coimbra

Resumo

A Ermida do Espírito Santo, em Almada, foi provavelmente fundada durante os séculos XIV ou XV mas, após o Terramoto de 1755 — e até finais do século XVIII — serviu como sede da freguesia de Santa Maria do Castelo, período durante o qual foi amplamente utilizada como espaço sepulcral. No decurso da escavação arqueológica prévia ao início das obras de requalificação da Ermida foram recuperados os restos esqueléticos de 88 indivíduos. Neste trabalho apresentam-se as lesões ósseas num indivíduo adulto do sexo feminino que configuram, de forma mais provável, um diagnóstico de sífilis venérea. Desse modo, releva-se a presença de um pequeno foco de caries sicca na região direita do frontal — este tipo de lesão gomatosa é considerado patognomónico em paleopatologia. O frontal (junto à órbita direita) e os zigomáticos apresentam microporosidade e neoformação óssea. O úmero e o fémur direitos, bem como a tíbia e a clavícula esquerdas, exibem periostites e osteítes, com espessamento diafisário extenso. As lesões observadas não são bilaterais, exceto no caso dos malares. Para além da sífilis adquirida, outras opções diagnósticas são consideradas, designadamente outras treponematoses, no contexto histórico da Ermida do Espírito Santo.

Palavras-chave

Doenças infeciosas, treponematoses, diagnóstico diferencial, paleopatologia

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Publicado
2019-01-15
Como Citar
ROSA, Sérgio et al. Um possível caso de sífilis adquirida num esqueleto oriundo da Ermida do Espírito Santo (séculos XV–XIX, Almada, Portugal). Antropologia Portuguesa, [S.l.], v. 35, p. 83-96, jan. 2019. ISSN 2182-7982. Disponível em: <https://impactum-journals.uc.pt/antropologiaportuguesa/article/view/6226>. Acesso em: 19 jun. 2019.
Secção
Artigos