Contribuição da paleopatologia para o conhecimento da origem e dispersão da tuberculose: evidências de Portugal

Palavras-chave: Paleotuberculose, mal de Pott, antropologia biológica, bioarqueologia, paleopatologia

Resumo

A paleopatologia contribui para o conhecimento da saúde e da doença em populações do passado. No caso particular da tuberculose auxilia na pesquisa que pretende determinar a antiguidade e a dispersão da doença pelo mundo, bem como as evidências existentes em Portugal. Estes aspetos constituem os objetivos deste trabalho. As pesquisas genómicas ao bacilo de Koch indicam uma coevolução com o Homo sapiens a partir de África. No entanto, análises macroscópicas, microscópicas, imagiológicas e biomoleculares dos vestígios osteológicos humanos apontam para que a tuberculose tenha começado a afetar a humanidade no período Neolítico. Durante várias décadas o diagnóstico paleopatológico da tuberculose fez-se, essencialmente, pela identificação do Mal de Pott. Mais recentemente, fruto de estudos em coleções osteológicas identificadas, verificou-se uma associação estatisticamente significativa entre a formação de osso novo na superfície visceral das costelas e a osteoartropatia hipertrófica nos indivíduos que tiveram tuberculose registada como causa de morte e, portanto, estas lesões começaram a ser usadas no diagnóstico diferencial desta doença. Portugal, tal como muitos outros países, maioritariamente europeus, foi bastante afetado pela tuberculose. No entanto, o registo paleopatológico em território nacional pode ser considerado escasso. Dos mais de 8000 indivíduos estudados provenientes de escavações arqueológicas em território português apenas 81 apresentam alterações ósseas compatíveis com a doença. A continuação das pesquisas em vestígios osteológicos humanos e de animais irá, certamente, trazer novos desenvolvimentos acerca da antiguidade, evolução e dispersão da tuberculose pelas populações e continentes.

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Publicado
2019-12-11
Secção
Artigos