Para uma (re)construção das identidades ou um conceito de Arqueologia Municipal
DOI:
https://doi.org/10.14195/1647-8657_45_1Palavras-chave:
Arqueologia Municipal, Identidade, PatrimónioResumo
Vive-se um tempo cada vez mais efémero. Habita-se um espaço que todos os dias se altera sob os nossos olhos. Sendo o tempo e o espaço os objectos de estudo essenciais ao arqueólogo e as categorias imprescindíveis à identificação, estudo e compreensão dos vestígios e comportamentos humanos de todos os tempos e em todas os espaços, esta assustadora volatilidade coloca problemas acrescidos ao exercício da profissão. No âmbito hercúleo das competências atribuídas à Arqueologia Municipal, em virtude de um crescente e mediático fenómeno de “consumo do passado”, são cada vez mais fortes as solicitações no que respeita à participação nos processos de preservação patrimonial, transmissão de memórias e (re)construção das identidades locais. É ao arqueólogo (mais do que ao historiador) que se pede que construa um discurso do passado e que actue como intermediário entre as vivências desconhecidas do Passado e a realidade Presente. É por ele que passam a preservação dos vestígios do Passado e a sua transmissão às gerações futuras. A este propósito, discute-se o papel social da arqueologia, defendendo- se a concepção de que as práticas de inventário, gestão, salvaguarda e divulgação de Património Móvel, Arqueológico e Arquitectónico (entre outras componentes patrimoniais relevantes, como a Paisagem ou o Imaterial) não se excluem, antes se complementam na construção das vivências anteriores do espaço, na reconstituição dos comportamentos humanos de cada época, nas dinâmicas a desenvolver para a transmissão futura de memórias e bens culturais. A arqueologia é mais um dos aspectos desse trabalho patrimonial, não devendo ser desenvolvido de forma isolada no âmbito concelhio dos projectos culturais e de ordenamento do território.
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