Alguns aspectos do povoamento tardo antigo e alto medieval do curso superior do Rio Paiva: as sepulturas escavadas na rocha

Autores

  • Marina Afonso Vieira Universidade dos Açores

DOI:

https://doi.org/10.14195/1647-8657_45_17

Palavras-chave:

Rio Paiva, povoamento tardo antigo

Resumo

O curso superior do rio Paiva pode caracterizar-se grosso modo como uma zona planáltica, entre os 1000 e os 600 m, entrecortado por áreas ribeirinhas do leito desse rio e seus afluentes, que configuram vales entre os 600 e os 300 m. Os recursos são parcos e a paisagem é hoje marcada pela nudez da rocha granítica e pelas manchas verdes de pinhal, pontuada pelos campos agrícolas que procuram as zonas mais férteis e se organizam em torno das povoações. O estudo da malha de povoamento – e sua evolução desde a época romana à alto medieval – levou à realização de um inventário com recurso a métodos arqueológicos extensivos. Este texto procura analisar apenas os dados correspondentes às sepulturas escavadas na rocha e a forma como estes monumentos poderão estar relacionados com assentamentos coevos (a partir do século VII). Tendo como base de trabalho oitenta e nove sepulturas escavadas na rocha, distribuídas por trinta e três estações arqueológicas distintas, realiza-se primeiramente um exercício de explanação da informação recolhida: tipologia, situação dos sepulcros, orientação e implantação. De seguida, os resultados são discutidos e contrastados com outras regiões para as quais estão disponíveis estudos. Chega-se à conclusão que o curso superior do rio Paiva apresenta algumas singularidades que poderão estar relacionadas com o carácter periférico da região, enquanto que outros rasgos o aproximam dos restantes grupos conhecidos de sepulcros rupestres. Em termos de povoamento, ao admitir-se a possibilidade de associar estes vestígios fúnebres com assentamento alto medieval, verifica- -se que seria disperso, coincidindo em parte com o conhecido para o período precedente. Os dados recolhidos apontam para a realização das sepulturas rupestres à margem de uma organização paroquial, ou seja, estaríamos perante uma situação de templo paroquial ausente ou longínquo em que os fiéis se organizam para prestar culto aos seus mortos.

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Publicado

2006-06-28

Como Citar

Vieira, M. A. (2006). Alguns aspectos do povoamento tardo antigo e alto medieval do curso superior do Rio Paiva: as sepulturas escavadas na rocha. Conimbriga, 45, 311–334. https://doi.org/10.14195/1647-8657_45_17

Edição

Secção

Artigos