Uma (não tão) breve contextualização histórica das lesões esqueléticas porosas (LEPs)

Autores

  • Ricardo A. M. P. Gomes CIAS – Research Centre for Anthropology and Health, Department of Life Sciences, University of Coimbra, Portugal https://orcid.org/0000-0001-8715-1108

DOI:

https://doi.org/10.14195/2182-7982_42_2

Palavras-chave:

Cribra cranii, cribra orbitalia, cribra humeralis, cribra femoralis, paleopatologia

Resumo

As lesões esqueléticas porosas (LEPs) — cribra cranii, cribra orbitalia, cribra humeralis e cribra femoralis — são alterações ósseas amplamente conhecidas em paleopatologia e bioarqueologia, descritas há mais de dois séculos. Este artigo apresenta uma síntese histórica sobre como o seu estudo — inicialmente centrado nas manifestações cranianas — se expandiu conceptual, metodológica e anatomicamente. Desde as primeiras classificações raciais da cribra craniana no século XIX até à consolidação dos modelos anémicos (genéticos e de deficiência de ferro) em meados do século XX, passando pela sua posterior reavaliação sob perspetivas biossociais e de stresse, a investigação sobre LEPs reflete a evolução da própria paleopatologia. O século XXI trouxe o reconhecimento das cribra pós-cranianas, diversificando as interpretações e promovendo uma integração entre fatores fisiológicos, ambientais e bioculturais. Além disso, a aplicação recente de técnicas imagiológicas e de análises elementares reformulou as interpretações, destacando mecanismos multifatoriais, com novas associações a infeções e inflamação. Ao acompanhar estas transformações, esta revisão evidencia como os paradigmas científicos, a inovação tecnológica e o pensamento biocultural continuam a redefinir a interpretação das LEPs, ilustrando como a paleopatologia contribui para uma melhor compreensão da doença e da variabilidade humana no passado.

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Publicado

2025-12-22