A APOLOGIA DE PLATÃO COMO ORATÓRIA FORENSE
DOI:
https://doi.org/10.14195/1984-249X_14_4Palavras-chave:
oratória forense, Platão, Apologia de Sócrates, gêneroResumo
Este artigo reinterpreta a Apologia de Sócrates de Platão como uma peça de oratória forense. Examinando os topoi retóricos utilizados por Platão, procuro demonstrar como Platão impulsiona os limites do gênero forense da oratória rumo à criação de uma nova prática discursiva: a filosofia.Inicialmente, o artigo examina o conceito de “gênero” em conexão com a oratória forense. Esboçado a partir do trabalho de Mikhail Bakhtin, Tzvetan Todorov e Andrea Nightingale, o artigo estabelece uma consonância entre as concepções de “gênero” destes eruditos e aquilo que outros especialistas definiram como “gênero oratório forense”.Em seguida, o artigo levanta a questão da razão de a Apologia de Platão tradicionalmente ter sido excluída deste gênero. Argumento que certas visões concernentes à presumida historicidade de discursos consignados à “oratória forense” precisam ser reexaminadas, já que não há evidência clara de que os atenienses requeressem acurácia histórica de discursos que ora classificamos como “oratória forense”. Ao remover a exigência de historicidade, obtemos um quadro mais preciso do que constitui a oratória forense e da razão de a Apologia de Platão merecer inclusão neste gênero.Por conseguinte, o artigo examina detalhadamente vários topoi retóricos da Apologia. Argumento que, mediante a manipu-lação e remodelação de tais topoi, Platão expande e redefine o gênero da oratória forense para incluir a nova prática discursiva da filosofia. O artigo revela como a redefinição platônica dos limites da oratória forense transformaram um discurso de defesa criminal em tribunal jurídico na condição sine qua non do filósofo e da vida filosófica.
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Referências
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