Restauração e desintegração: a herança da tradição médica no Filebo de Platão
DOI:
https://doi.org/10.14195/1984-249X_35_31Palavras-chave:
Corpus Hippocraticum. Filebo. Desintegração. Prazer. Método.Resumo
Este estudo tem como objetivo central examinar a posição da medicina no contexto do diálogo Filebo de Platão, focando, por um lado, na crítica que o filósofo faz à medicina, enquanto prática e ofício regulado por normas e procedimentos específicos, e, por outro, na maneira habilidosa com que ele recorre a algumas teorias médicas, adaptando-as para seus próprios propósitos. A primeira parte da análise busca compreender as razões pelas quais Platão critica a medicina no Filebo, especialmente na passagem 56b1, em que a inclui entre as atividades que envolvem “muita imprecisão e pouca certeza”. Essa crítica, como se demonstrará, está profundamente relacionada ao método da medicina. Nesse sentido, será importante destacar que, ao criticar a medicina, Platão não busca estabelecer uma rivalidade entre a filosofia e a prática médica, mas sim questionar a pretensão da medicina de se apresentar, algumas vezes, como o melhor e único modus vivendi. A segunda parte do estudo, por sua vez, se concentra em analisar as influências da medicina sobre a teoria platônica do prazer, especialmente no que diz respeito ao conceito de prazer como um processo de preenchimento. Para isso, recorre-se a textos hipocráticos, como Sobre as Doenças IV, Sobre a Natureza do Homem e Sobre a Medicina Antiga. Por fim, através da comparação de termos-chave recorrentes, destacam-se as semelhanças e as diferenças entre a concepção médica e a concepção de Platão sobre o prazer.
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