Uma Hipótese para o Cinema-Escrita na Literatura Eletrónica

  • Will Luers Washington State University Vancouver
Palavras-chave: literatura eletrónica, escrita digital, cinema digital, computação, escrita maquínica

Resumo

O cinema computacional, enquanto manipulação digital de pixeis, fotogramas, planos e sequências, é um termo genérico para os diversos modos através dos quais a tecnologia digital pode afetar o cinema como um sistema de expressão. Se uma cena de filme exige uma tempestade de neve, as imagens geradas por computador (CGI) podem ser empregadas para criar uma tempestade de neve idealizada. A computação neste sentido é usada para controlar eficientemente as contingências (clima) e direcionar as intenções da “escrita” ou ideia preconcebida. Mas a computação pode também criar novas contingências que aumentam a apresentação do mundo, já por si complexa, operada pela câmara. O hipertexto multimédia e o cinema interativo, o vídeo generativo e recombinante, o datamoshing e o databending, todos introduzem formas de indeterminação no cinema digital. À medida que a escrita digital se torna ainda mais cinematográfica e imersiva, é importante revisitar as raízes da arte cinematográfica e procurar a sua relação tanto com a escrita quanto com o mundo. O ideal do “cinema-escrita”, ou cinécriture no contexto do cinema francês, é aquele que leva a máquina a sério como uma ferramenta para trazer o mundo ao pensamento e levar o pensamento ao mundo. Cinema e escrita juntos, tal como imaginado pelos primeiros praticantes e teóricos dessa arte, é uma forma de aproveitar a indexicalidade única da câmara; de estender o seu alcance espácio-temporal e direcionar a sua significação para a narrativa, mas também de beneficiar do seu realismo disperso, da sua opacidade e potencial para escapar completamente ao pensamento e ao fechamento da narrativa. Neste artigo, exploro as filiações entre arte do cinema e literatura eletrónica, com um foco particular na computação como extensão da escrita-cinema. Através de exemplos de literatura eletrónica cinematográfica, bem como de filmes e exemplos de videoarte, apresentarei estratégias para um cinema computacional que acolhe operações do acaso no processo de significação; que procura um “fora” dentro (e ao lado) da composição narrativa e da intenção autoral.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AMERIKA, Mark (2009). “Immobilité.” 28 June 2017. http://www.immobilite.com/.

BAZIN, André, and Hugh Gray (2005). What Is Cinema? Berkeley, CA: University of California Press.

BÉNEZÉT, Delphine (2014). The Cinema of Agnes Varda. London: Wallflower P.

BOUCHARDON, Serge (2017). “Towards a Tension-Based Definition of Digital Literature.” Journal of Creative Writing Studies 2.1, Article 6: 1-13.

CONLEY, Tom (1991). Film Hieroglyphs: Ruptures in Classical Cinema. Minneapolis: University of Minnesota Press.

DEBORD, Guy (1956). “Theory of the Dérive.” 28 June 2017. http://www.cddc.vt.edu/sionline/si/theory.html.

DELEUZE, Gilles (1995). Cinema. Mineapolis: University of Minnesota Press.

DOANE, Mary Ann (2002). The Emergence of Cinematic Time: Modernity, Contingency, the Archive. Cam-bridge, Mass: Harvard University Press.

DUARTE, German A (2014). Fractal Narrative about the Relationship between Geometries and Technology and Its Impact on Narrative Spaces. Bielefeld: Transcript.

EPSTEIN, Jean, and Christophe Wall-Romana (2015). The Intelligence of a Machine. Minneapolis: Universi-ty of Minnesota Press.

GODARD, Jean-Luc (2011). Histoire(s) Du Cinema. Olive Films.

GORMAN, Samantha, and Danny Cannizzaro (2017). PRY on the App Store. 30 June 2017. https://itunes.apple.com/us/app/pry/id846195114?mt=8.

HEATH, Stephen (1981). Questions of Cinema. Bloomington, IN: Indiana University Press.

KIM, Jihoon (2016). Between Film, Video, and the Digital: Hybrid Moving Images in the Post-media Age. London: Bloomsbury Publishing.

LIALINA, Olia (1996). “War.” 28 June 2017. http://www.teleportacia.org/war/.

MANOVICH, Lev (2001). The Language of New Media. Cambridge, MA: MIT Press.

MEANEY, Evan (2015). “The_Ceibas_Cycle.” 28 June 2017. http://www.evanmeaney.com/cycle/.

MICHELSON, Annette, and Kevin O’Brien (1985). Kino-eye: The Writings of Dziga Vertov. Berkeley, CA: University of California Press.

MILES, Adrian (2008). “Softvideography: Digital Video as Postliterate Practice.” Small Tech: The Culture of Digital Tools. Eds. Byron Hawk, David M. Rieder, and Ollie Oviedo. Minneapolis, MN: University of Minnesota Press. 10-22.

MORIN, Edgar (2005). The Cinema, Or, The Imaginary Man. Minneapolis, MN: University of Minnesota Press.

RANCIÈRE, Jacques (2016). Film Fables. London, UK: Bloomsbury Academic.

RENSEIW, Sam (2017). “Spacetwo : Patalab.” 28 June 2017. https://patalab02.blogspot.com/

RODOWICK, David Norman (2001). Reading the Figural, Or, Philosophy after the New Media. Durham, NC: Duke University Press.

RODOWICK, David Norman (2007). The Virtual Life of Film. Cambridge, MA: Harvard University Press.

RODOWICK, David Norman (2010). Afterimages of Gilles Deleuze’s Film Philosophy. Minneapolis, MN: University of Minnesota Press.

WALL-ROMANA, Christophe (2012). Cinepoetry: Imaginary Cinemas in French Poetry. Fordham University Press.

WALL-ROMANA, Christophe (2013). Jean Epstein. Manchester: Manchester University Press.

WITT, Michael (2013). Jean-Luc Godard, Cinema Historian. Bloomington, IN: Indiana University Press.
Publicado
2018-08-10
Como Citar
Luers, Will. 2018. Uma Hipótese Para O Cinema-Escrita Na Literatura Eletrónica. MATLIT: Materialidades Da Literatura 6 (2), 37-51. https://doi.org/10.14195/2182-8830_6-2_3.
Secção
Secção Temática | Thematic Section