Agentes, produtos e estratégias: a composição do mercado financeiro português (1755-1774)
DOI:
https://doi.org/10.14195/0870-4147_57_8Palavras-chave:
História Financeira, Mercados Financeiros, Intermediação Notarial, Instrumentos FinanceirosResumo
Este estudo analisa a estrutura e funcionamento do mercado de capitais em Lisboa entre 1755 e 1774, com base nos registos do Cartório do Distribuidor. A investigação demonstra a existência de um mercado financeiro funcional, assente na mediação notarial e na circulação de instrumentos financeiros. Num contexto sem bolsa formal, os notários atuaram como principais intermediários, conferindo fé pública às transações e mitigando o risco. A maioria dos ativos transacionados era de natureza privada, embora também se registem investimentos em dívida pública, revelando um ecossistema financeiro adaptado a diferentes níveis de risco, liquidez e capital disponível.
Apesar da ausência de um mercado secundário estruturado, observa-se a presença de elementos de publicidade e sociabilidade que permitiam algum grau de transparência. O artigo propõe a leitura do mercado lisboeta como semi-opaco, onde coexistem práticas tradicionais e formas emergentes de financeirização. Este estudo contribui para a reavaliação da história financeira portuguesa do século XVIII, aproximando-a das tendências historiográficas mais recentes sobre mercados informais e redes de confiança institucional na Europa pré-industrial.
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