Hernâni Cidade e a dissidência intelectual no Estado Novo
DOI:
https://doi.org/10.14195/0870-4147_57_13Palavras-chave:
Estado Novo, Hernâni Cidade, Dissidência intelectual, Redes de sociabilidade, Liceu de ÉvoraResumo
Este artigo analisa a gestão da dissidência intelectual pelo Estado Novo entre 1932 e 1935, através do estudo de caso de Hernâni Cidade, figura central da dissidência intelectual republicana. A partir de documentação inédita, arquivos escolares, correspondência pessoal e da produção jornalística publicada no Diário Liberal, demonstra-se que o regime combinou, de forma estratégica, mecanismos de repressão seletiva e de integração controlada na administração de opositores com elevado capital simbólico. A intervenção de Hernâni Cidade na imprensa oposicionista desencadeou um processo judicial que culminou na sua condenação em 1935. O artigo demonstra que as redes de sociabilidade formadas no Seminário, no Liceu e na Universidade foram decisivas para atenuar os efeitos da repressão seletiva e permitir a manutenção da carreira académica do intelectual.
Conclui-se que a combinação entre repressão seletiva e tolerância foi um instrumento do autoritarismo português cuja análise revela a lógica complexa com que o regime geriu opositores prestigiados. O estudo desse instrumento contribui para uma compreensão mais fina das relações entre cultura, educação e poder político durante a primeira metade da década de 1930.
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