Grandes incêndios florestais de 17 de junho de 2017 em Portugal e exemplos da determinação das respetivas causas

  • Messias Mira Secretaria de Estado da Valorização do Interior
  • Luciano Lourenço Departamento de Geografia e Turismo, NICIF, CEGOT e RISCOS, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra (Portugal) https://orcid.org/0000-0002-2017-0854
Palavras-chave: Incêndios florestais, determinação de causas, grandes incêndios, ponto de ignição, incendiarismo

Resumo

Portugal apresenta condições muito favoráveis à ocorrência de incêndios florestais, a maioria dos quais possui génese humana. Todavia, em determinadas condições meteorológicas, também podem ocorrer incêndios com origem natural, decorrentes da existência de trovoadas secas.
Os incêndios de junho do ano de 2017, pelas suas proporções e consequências, alimentaram acesa polémica em relação às hipóteses colocadas como causa, tendo-se apontando, frequentemente, a ação criminosa como sendo a justificação mais plausível. Sendo assim, para que os infratores pudessem ser punidos, tornava-se imperioso apurar as causas efetivas, tarefa que teria de ser realizada por investigadores devidamente credenciados para apurar este tipo de crime, de modo a que os resultados viessem a ser conclusivos.
Assim, aplicando uma metodologia adequada, cujo princípio tem como objetivo geral a delimitação da área de início do incêndio florestal e, nesse reduzido espaço, a determinação do meio de ignição utilizado (que indicará o ponto de início) ou, na ausência deste, a pesquisa de evidências do exato ponto de eclosão/início, é possível obter conclusões sobre as causas dos incêndios. Dão-se exemplos da aplicação desse método a alguns dos grandes incêndios de junho de 2017 e apontam-se os resultados obtidos para a causa de cada um deles.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Bento-Gonçalves, A., Lourenço, L., Dias da Silva, J. (2007). Manifestação do risco de incêndio florestal. Causas e investigação criminal. Territorium, Revista da Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança, Lousã, n.º 14, 81-87. Disponível em: http://impactum-journals.uc.pt/territorium/article/view/3263/2510

Correia, S. (1994). Determinação das causas de incêndio florestal. Uma metodologia. Actas do II Encontro Pedagógico sobre Risco de Incêndio Florestal, Coimbra, p. 141-151. Disponível em: http://www.uc.pt/fluc/nicif/Publicacoes/Edicoes_PROSEPE/Edicoes_Pedagogicas/EPRIF_Documentos/IIEPRIF_Atas_pdf.pdf

Carvalho, A. (2006). Investigação de incêndios. Metodologias de Investigação Criminal. Escola de Policia Judiciária, Loures.

Galante, M. (2005). As causas dos incêndios florestais em Portugal continental. Atas do 5.º Congresso Florestal Nacional, Viseu, 16 a 19 Maio, 1-12.

ICNF - INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DAS FLORESTAS (2014). Análise das causas dos incêndios florestais - 2003-2013. Departamento de Gestão de Áreas Classificadas, Públicas e de Proteção Florestal, Lisboa, 31 p. Disponível em: http://www2.icnf.pt/portal/florestas/dfci/relat/relat-causa-incendios-2003-2013

ICNF - INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DAS FLORESTAS (2017a). 10.º Relatório Provisório de Incêndios Florestais - 2017. 01 de janeiro a 31 de outubro. Departamento de Gestão de Áreas Públicas e de Proteção Florestal, Lisboa, 19 p. Disponível em: http://www2.icnf.pt/portal/florestas/dfci/Resource/doc/rel/2017/10-rel-prov-1jan-31out-2017.pdf

ICNF - INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DAS FLORESTAS (2017b). Mapa das Medidas de estabilização de emergência dos incêndios de CABEÇAS, FIGUEIRÓ, GÓIS, PEDRÓGÃO e PENELA - concelhos: Alvaiázere, Ansião, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa [da Serra], Pedrógão Grande, Penela e Sertã. Área de Intervenção de Estabilização de Emergência pós-incêndio - PDR 2020 N.º 05, Operação 8.1.4/2017, Lisboa, 1 Mapa. Disponível em: http://www2.icnf.pt/portal/florestas/dfci/relat/raa/ree-2017

IPMA - INSTITUTO PORTUGUÊS DO MAR E DA ATMOSFERA (2017). Relatório - Condições meteorológicas associadas ao incêndio de Pedrógão Grande de 17 de junho de 2017. Departamento de Meteorologia e Geofísica, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Lisboa, 64 p. Disponível em: https://www.portugal.gov.pt/media/30394721/20170630-relatorio-pedrogaogrande-ipma-completo.pdf

Lourenço, L. (1988). Tipos de tempo correspondentes aos grandes incêndios florestais ocorridos em 1986 no Centro de Portugal. Finisterra, Lisboa, XXIII, 46, p. 251-270. Disponível em: http://www.uc.pt/fluc/nicif/Publicacoes/Estudos_de_Colaboradores/PDF/Publicacoes_periodicas/FinisterraXXIII46_1988

Lourenço, L. (2007). Incêndios florestais de 2003 e 2005. Tão perto no tempo e já tão longe na memória!. Riscos Ambientais e Formação de Professores (Atas das VI Jornadas Nacionais do PROSEPE). Colectâneas Cindínicas VII, Projeto de Sensibilização e Educação Florestal e Núcleo de Investigação Científica de Incêndios Florestais e Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Coimbra, 19-91. Disponível em: http://www.uc.pt/fluc/nicif/Publicacoes/Colectaneas_Cindinicas/Download/Colecao_VII/Incendios_Florestais_de_2003_e_2005.pdf

Lourenço, L., Serra, M. G., Mota, L., Paúl, J J., Correia, S., Parola, J. e Reis, J. (2001). Manual de Combate a Incêndios Florestais para Equipas de Primeira Intervenção. Escola Nacional de Bombeiros, Sintra, 208 p. Disponível em: https://www.uc.pt/fluc/nicif/Publicacoes/Estudos_de_Colaboradores/PDF/Livros_e_Guias/ENB1_2006

Lourenço, L., Fernandes, S., Bento-Gonçalves, A., Castro, A., Nunes, A., Vieira, A. (2012). Causas de incêndios florestais em Portugal continental. Análise estatística da investigação efetuada no último quindénio (1996 a 2010). Cadernos de Geografia n.º 30-31. Coimbra, 61-80. Disponível em: http://www.uc.pt/fluc/nicif/Publicacoes/Estudos_de_Colaboradores/PDF/Publicacoes_periodicas/Cadgeo30_31_2011_12

Nunes, A., Lourenço, L., Fernandes, S., Meira-Castro, A. C. (2014). Principais causas dos incêndios florestais em Portugal: variação espacial no período 2001/12. Territorium, Revista da Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança, Lousã, n.º 21,

-146. Disponível em: http://impactum-journals.uc.pt/territorium/article/view/3296/2542

Pugnet, L., Lourenço, L., Rocha, J. (2010). L’ignition des feux de forêts par l’action de la foudre au Portugal de 1996 à 2008. Territorium, Revista da Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança, Lousã, n.º 17, 57-70. Disponível em: http://impactum-journals.uc.pt/territorium/article/view/3141/2392

Publicado
2019-02-13

Artigos mais lidos pelo mesmo (s) autor (es)

1 2 > >>