Academia, Geopolítica das Humanidades Digitais e Pensamento Crítico

Resumo

As mudanças que ocorreram no campo das tecnologias de informação e de comunicação nas últimas décadas tiveram impacto decisivo em vários setores da atividade humana, nomeadamente a nível de novas práticas criativas e de novos regimes de produção de conhecimento. Se é certo que durante algum tempo o esforço ia no sentido da integração de ferramentas informáticas no trabalho desenvolvido no campo das artes, humanidades e ciências sociais, mas numa lógica apenas de suporte técnico a tarefas academicamente consagradas, com a emergência do paradigma de Humanidades Digitais tornou-se mais visível o propósito de reinventar a cultura através da gramática dos novos meios e o crescente efeito de mediação da tecnologia digital no modo como decorre e se organiza a pesquisa ou se dá a conhecer os seus resultados finais.

 

DOI: http://dx.doi.org/10.14195/2182-8830_3-1_7

  • Resumo viewed = 29 times
  • HTML viewed = 9 times
  • PDF viewed = 13 times
  • Imagens viewed = 3 times

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Paulo Silva Pereira, CLP, Universidade de Coimbra

PAULO SILVA PEREIRA

Professor Auxiliar do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Membro Integrado do Centro de Literatura Portuguesa (CLP). Doutorado pela mesma universidade, leciona nas áreas de Literatura Portuguesa (séculos XVI a XVIII), Estudos Culturais, História e Periodização da Literatura Portuguesa, Literatura, Memória e História (Doutoramento em Literatura de Língua Portuguesa) e Literatura, Artes e Média (Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura). Tem publicado diversos trabalhos sobre literatura e cultura portuguesas dos séculos XVI a XVIII, nomeadamente Metamorfoses do espelho. O estatuto do protagonista e a lógica da representação ficcional na trilogia de Rodrigues Lobo (Lisboa, IN-CM, 2003), D. Francisco Manuel de Melo e o modelo do ‘cortesão prudente e discreto’ na cultura barroca peninsular (IN-CM, no prelo) e orientado projetos de pesquisa, a nível de Pós-graduação, nestas áreas. Prepara, atualmente, uma edição da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto para a coleção ‘Biblioteca Lusitana’ (CLP) e coordena o volume consagrado ao Verdadeiro Método de Estudar (1746), de Luís António Verney, no âmbito do projeto Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, do Círculo de Leitores. Integra o projeto de investigação «Nenhum Problema Tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego». É Diretor do Programa de Doutoramento em Literatura de Língua Portuguesa na Faculdade de Letras de Coimbra.

Referências

ALVES, Daniel (2014). “From “Humanities and Computing” to “Digital Humanities”: Digital Humanities in Portugal with a focus on Historical Research.” H-Soz-Kult. 24 de outubro.
http://www.hsozkult.de/hfn/debate/id/diskussionen-2455.

BAILEY, Moya Z. (2011). “All the Digital Humanists Are White, All the Nerds Are Men, but Some of Us Are Brave.” JDH: Journal of Digital Humanities, 1.1. 21 de setembro de 2015.
http://journalofdigitalhumanities.org/1-1/all-the-digital-humanists-are-white-all-the-nerds-are-men-but-some-of-us-are-brave-by-moya-z-bailey/.

BERRY, David M., ed. (2012). Understanding Digital Humanities. Basingstoke: Palgrave Macmillan.

BORGMAN, Christine L. (2015a). Big Data, Little Data, No Data: Scholarship in the Networked World. Cambridge, MA: MIT Press.

BORGMAN, Christine L., et. al. (2015b). “Knowledge Infrastructures in Science: Data, Diversity, and Digital Libraries.” International Journal on Digital Libraries 16.47.

BURDICK, Anne, et. al. (2012). Digital_Humanities. Cambridge, Mass: The MIT Press. Open Access Edition. 21 de setembro de 2015. https://mitpress.mit.edu/sites/default/files/titles/content/9780262018470_Open_Access_Edition.pdf.

CRANE, Gregory (2006). “What Do You Do with a Million Books?.” D-Lib Magazine 12.3. 21 de setembro de 2015.
http://www.dlib.org/dlib/march06/crane/03crane.html.

CRANE, Gregory, Brent Seales e Melissa Terras (2009). “Cyberinfrastructure for Classical Philology.” Digital Humanities Quarterly 3.1. 21 de setembro de 2015. http://www.digitalhumanities.org/dhq/vol/003/1/000023/000023.html.

DACOS, Marin (2013). “La stratégie du Sauna finlandais: Les frontières de Digital Humanities. Essai de Géographie politique d’une communauté scientifique.” 21 de setembro de 2015. hal-00866107.

DEEGAN, Marilyn e Sutherland, Kathryn, eds (2009). Transferred Illusions. Digital technology and the forms of print. Farnham: Ashgate.

ESCANDELL MONTIEL, Daniel (2012). Narrativa digital hispana: el blog como espacio de creación literaria a comienzos del siglo XXI. Salamanca: Universidad de Salamanca.

FIORMONTE, Domenico (2012). “Towards a Cultural Critique of Digital Humanities.” Historical Social Research/Historische Sozialforschung 37. http://www.cceh.uni-koeln.de/files/Fiormonte_0.pdf.

FIORMONTE, Domenico (2014). “Digital Humanities from a global perspective.” Laboratorio dell’ISPF XI. 21 de setembro de 2015. http://www.ispf-lab.cnr.it/2014_203.pdf.

FRYE, Northrop (2006). The Secular Scripture and Other Writings on Critical Theory, 1976­1991. Eds. Joseph Adamson and Jean Wilson. Toronto: University of Toronto Press.

GALINA, Isabel (2013). “Is There Anybody Out There? Building a Global Digital Humanities Community.” Humanidades Digitales. 21 de setembro de 2015. http://humanidadesdigitales.net/blog/2013/07/19/is-there-anybody-out-there-building-a-global-digital-humanities-community/. Nova ed. revista e aumentada: (2014). “Geographical and Linguistic Diversity in the Digital Humanities.” Literary and Linguistic Computing 29.3: 307-316.

GIBBS, Frederick W. e Daniel J. Cohen (2011). “A Conversation with Data: Prospecting Victorian Words and Ideas.” Victorian Studies 54.1: 69-77. 21 de setembro de 2015. http://www.dancohen.org/2012/05/30/a-conversation-with-data-prospecting-victorian-words-and-ideas/.

GOLD, M. K., ed. (2012). Debates in the Digital Humanities. Minneapolis: University of Minnesota Press. 21 de setembro de 2015. http://dhdebates.gc.cuny.edu/.

GOLUMBIA, David (2013). “Postcolonial Studies, Digital Humanities, and the Politics of Language.” 31 de maio. 21 de setembro de 2015. http://www.uncomputing.org/?p=241.

GUMBRECHT, Hans Ulrich (2004). Production of Presence: What Meaning Cannot Convey. Stanford: Stanford UP.

HONN, Josh (2013). “Never Neutral: Critical Approaches to Digital Tools & Culture in the Humanities.” 17 de outubro. 21 de setembro de 2015.http://sites.northwestern.edu/jch629/2013/10/17/never-neutral-critical-approaches-to-digital-tools-culture-in-the-humanities/.

KIRSCHENBAUM, Matthew (2014). “What is ‘Digital Humanities,’ and Why Are They Saying Such Terrible Things about It?.” differences 25.1: 46-63. 21 de setembro de 2015. DOI 10.1215/10407391-2419997.

KOH, Adeline, e Roopika Risam (2013). “Open Thread: The Digital Humanities as a Historical “Refuge” from Race/Class/Gender/Sexuality/ Disability?.” 21 de setembro de 2015.
http://dhpoco.org/blog/2013/05/10/open-thread-the-digital-humanities-as-a-historical-refuge-from-raceclassgendersexualitydisability/.

KOH, Adeline (2014). “Niceness, Building, and Opening the Genealogy of the Digital Humanities: Beyond the Social Contract of Humanities Com-puting.” differences 25.1: 93-106.

JOCKERS, Matthew (2013). Macroanalysis: Digital Methods and Literary History, Urbana: University of Illinois.

LAFUENTE, Antonio, Andoni Alonso e Joaquín Rodríguez (2013). ¡Todos sabios! Ciencia ciudadana y conocimiento expandido. Madrid: Cátedra.

LIU, Alan (2011). “The State of the Digital Humanities: A Report and a Critique.” Arts and Humanities in Higher Education 11.1-2: 8-41.

LIU, Alan (2012). “Where is Cultural Criticism in the Digital Humanities?.” Debates in the Digital Humanities. Ed. M. Gold. Minneapolis, University of Minnesota Press. 490-509.

LODGE, David (1984). Small World: An Academic Romance. London: Secker & Warburg.

LOTHIAN, Alexis e Phillips, Amanda (2013). “Can Digital Humanities Mean Transformative Critique?.” Journal of e-Media Studies 3.1. Dartmouth College. 21 de setembro de 2015. http://journals.dartmouth.edu/cgi-bin/WebObjects/Journals.woa/1/xmlpage/4/article/425.

MARTELL, Luke (2014). “The Slow University: Inequality, Power and Alternatives.” Forum Qualitative Sozialforschung / Forum: Qualitative Social Research 15.3. Art. 10. 21 de setembro de 2015. http://nbn-resolving.de/urn:nbn:de:0114-fqs1403102.

MAYER-SCHÖNBERGER, Viktor e Kenneth Cukier (2013). Big Data: A Revolution That Will Transform How We Live, Work and Think. London: John Murray.

MARTINS, Beatriz Cintra (2014). Autoria em rede. Os novos processos autorais através das redes eletrônicas. Rio de Janeiro: Mauad Editora.

MCCARTY, Willard (2004). “Modeling: A Study in Words and Meanings.” A Companion to Digital Humanities. Eds. Susan Schreibman, Ray Siemens, John Unsworth. Oxford: Blackwwell. 254-270. 21 de setembro de 2015. http://www.digitalhumanities.org/companion/.

MCCARTY, Willard (2012). “The Residue of Uniqueness.” 21 de setembro de 2015. http://www.cceh.uni-koeln.de/files/McCarty.pdf.

MICHEL, Jean-Baptiste, et al. (2011). “Quantitative Analysis of Culture Using Millions of Digitized Books.” Science 33.6014: 176-182. 20 de setembro de 2015. https://dash.harvard.edu/handle/1/8899722.

MORETTI, Franco (2005). Graphs, Maps, Trees: Abstract Models for a Literary History. London and New York: Verso.

MORETTI, Franco (2013). Distant Reading. London: Verso.

ORTEGA, E. e Gutiérrez, S. (2012). MapaHD. 20 de setembro de 2015. http://mapahd.org/el-mapa/.

PAIXÃO DE SOUSA, Maria Clara (2011). “As Humanidades e as Tecnologias Digitais: Uma Provocação Inicial. Humanidades Digitais.” 20 de setembro de 2015. http://humanidadesdigitais.org/2011/07/07/por-que-humanidades-digitais/.

PEREIRA, Paulo Silva (2015). “Barroco Digital: Remediação, Edição Textual e Arquivo.” Revista Colóquio/Letras 188, jan: 20-32.

PORTELA, Manuel (2013a). Scripting Reading Motions. The Codex and The Computer as Self-Reflexive Machines. Cambridge, Mass.: MIT Press.

PORTELA, Manuel (2013b). “Nenhum Problema Tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego.” MatLit 1.1: 9-33. 20 de setembro de 2015. http://iduc.uc.pt/index.php/matlit/article/view/1618.

PRESNER, Todd (2012). “Critical Theory and the Mangle of Digital Humanities.” 20 de setembro de 2015. http://www.toddpresner.com/wp-content/uploads/2012/09/Presner_2012_DH_FINAL.pdf.

RAMSAY, Stephen (2011a). “Who’s In and Who’s Out.” 20 de setmbro de 2015. http://stephenramsay.us/text/2011/01/08/whos-in-and-whos-out/.

RAMSAY, Stephen (2011b). “On Building.” 20 de setembro de 2015. http://stephenramsay.us/text/2011/01/11/on-building/.

RÖHRS, H., ed. (1987). Tradition and Reform of the University under an International Perspective. New York: Peter Lang.

ROJAS CASTRO, Antonio (2013). “El mapa y el territorio. Una aproxima-ción histórico-bibliográfica a la emergencia de las Humanidades Digitales en España.” Caracteres. Estudios culturales y críticos de la esfera digital. 20 de setembro de 2015. http://revistacaracteres.net/revista/vol2n2noviembre2013/el-mapa-y-el-territorio/

ROMERO FRÍAS, Esteban e María Sánchez González, eds. (2014). “Cien-cias Sociales y Humanidades Digitales. Técnicas, herramientas y expe-riencias de e-Research e investigación en colaboración.” CAC: Cuadernos Artesanos de Comunicación 61. 20 de setembro de 2015.
http://www.cuadernosartesanos.org/2014/cac61.pdf.

SANZ, Amelia (2013). “Digital Humanities or Hypercolonial Studies?” RICT. Responsible Innovation. 21 de setembro de 2015. http://responsible-innovation.org.uk/resource-detail/1249.

SCHNAPP, Jeffrey e Todd Presner (2009). Digital Humanities Manifesto 2.0. 21 de setembro de 2015. http://www.humanitiesblast.com/manifesto/Manifesto_V2.pdf.

SCHREIBMAN, Susan , Ray Siemens e John Unsworth, eds. (2004). A Companion to Digital Humanities. Oxford: Blackwell. 21 de setembro de 2015. http://www.digitalhumanities.org/companion/.

SUROWIECKI, James (2004). The Wisdom of Crowds: Why the Many Are Smarter Than the Few and How Collective Wisdom Shapes Business, Economies, Societies and Nations. Little: Brown.

TERRAS, Melissa (2013). “On Changing the Rules of Digital Humanities from the Inside.” Melissa Terra’s Blog: Adventures in DH and Digital Cultural Heritage, Plus Some Musings on Academia. 27 de maio. 21 de setembro de 2015. http://melissaterras.blogspot.co.uk/2013/05/on-changing-rules-of-digital-humanities.html.

UNSWORTH, John (2004). “Forms of Attention: Digital Humanities Be-yond Representation.” A paper delivered at The Face of Text: Computer-Assisted Text Analysis in the Humanities, the third conference of the Canadian Symposium on Text Analysis (CaSTA). McMaster University. 19-21 de novembro. 21 de setembro de 2015. http://people.brandeis.edu/~unsworth/FOA/.
Publicado
2015-10-28
Como Citar
PEREIRA, Paulo Silva. Academia, Geopolítica das Humanidades Digitais e Pensamento Crítico. MATLIT: Materialidades da Literatura, [S.l.], v. 3, n. 1, p. 111-140, out. 2015. ISSN 2182-8830. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/matlit/article/view/2517>. Acesso em: 19 nov. 2017. doi: https://doi.org/10.14195/2182-8830.
Secção
Secção Temática | Thematic Section

Palavras-chave

Academia; Humanidades Digitais; geopolítica e relações institucionais; diversidade linguística e cultural; pensamento crítico.