Especulação financeira e valoração ambiental na formação do preço do carbono em mercados florestais: uma revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.14195/0871-1623_53_7Palavras-chave:
Mercados de carbono florestal, precificação do carbono, governança territorial, política ambiental, MRV+Resumo
A emergência dos mercados de carbono pode ser interpretada tanto como uma inovação tecnoeconômica quanto como um mecanismo de governança climática que evoluiu gradualmente para uma arena especulativa — na qual os créditos de carbono passam a ser negociados crescentemente em função de risco e rentabilidade, e não de seu desempenho ambiental efetivo. A complexidade socioambiental desses mercados exige uma abordagem analítica multidisciplinar, dada a elevada miopia econômica que a especulação induz na formação de preços. Esse distanciamento entre a base ecológica dos créditos e seu valor de equilíbrio de mercado evidencia fragilidades estruturais nos processos de valoração. Seguindo o protocolo PRISMA e o framework PICO, este estudo investiga a seguinte questão de pesquisa: como a especulação financeira influência a formação do preço de equilíbrio nos mercados de carbono florestal? Para tanto, foi realizada uma revisão sistemática com base em buscas nas bases Scopus e Web of Science (realizadas em 7 de outubro de 2025), resultando em um corpus consolidado de 180 documentos, publicados em 97 periódicos, com forte representação nas áreas de economia da energia, finanças e política ambiental. Os resultados indicam que choques regulatórios, condições de liquidez e narrativas de integridade — tanto em Sistemas de Comércio de Emissões (ETS) quanto em Mercados Voluntários de Carbono (VCM) — amplificam a volatilidade e os ciclos especulativos, tornando os preços altamente sensíveis a expectativas políticas e macroeconômicas (por exemplo, preços do petróleo, taxas de câmbio, derivativos e índices associados a eventos climáticos e regulatórios). Essas dinâmicas manifestam-se de forma desigual no território, refletindo assimetrias espaciais na capacidade de governança, na aplicação regulatória e na distribuição geográfica do potencial de mitigação. Essa perspectiva orientada pela especulação evidencia as implicações da frágil padronização regulatória e reforça a sensibilidade dos preços do carbono a interesses de curto prazo, destacando a necessidade urgente de integridade de mercado e do fortalecimento de mecanismos MRV+ para realinhar o preço do carbono ao seu valor ecológico.
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