Gramáticas de exclusão: demografia, desinformação e democracia nas geografias humanas contemporâneas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14195/0871-1623_53_8

Palavras-chave:

Demografia, Desinformação, Democracia, Gramáticas de exclusão, Geografias Humanas, Políticas de pertença

Resumo

Este artigo propõe uma leitura crítica e multidisciplinar das articulações entre demografia, desinformação e democracia, argumentando que as transformações populacionais contemporâneas constituem um terreno privilegiado de disputa política e simbólica. Partindo de uma perspetiva situada nos estudos críticos de fronteira e migração, e em diálogo com contributos das relações internacionais, da geografia humana crítica e da ciência política. O texto analisa de que forma o conhecimento demográfico pode produzir gramáticas de exclusão, como conjuntos articulados de narrativas, categorias e práticas que organizam o acesso diferenciado à pertença, à dignidade e a direitos fundamentais. O artigo apresenta o caso ilustrativo da figura do migrante, historicamente construído como sujeito ambivalente, entre contributo necessário e ameaça simultânea. A ambivalência constitui a estrutura narrativa que sustenta culturas de controlo de fronteira e práticas de exclusão espacialmente situadas. A desinformação em Portugal ilustra como estas gramáticas se sedimentam no debate público contemporâneo. Conclui-se que a qualidade da democracia depende da capacidade de as sociedades resistirem à naturalização de hierarquias de dignidade e de construírem políticas de pertença assentes em direitos humanos.

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Publicado

2026-07-24