Da quantidade de árvores à qualidade climática da sombra: evidências empíricas do coberto arbóreo urbano em Coimbra (Portugal)

Autores

  • Marina Filipa Maltez Chaves Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Interdisciplinares – CEIS20
  • José Miguel Lameiras Universidade do Porto, BIOPOLIS/CIBIO- Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos https://orcid.org/0000-0002-2361-6444
  • António M. Rochette Cordeiro Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Interdisciplinares – CEIS20

DOI:

https://doi.org/10.14195/0871-1623_53_5

Palavras-chave:

microclima urbano, ilha de calor urbana, coberto arbóreo, sombra quente, sombra fresca, vegetação urbana, diferenciação térmica

Resumo

A eficácia climática do coberto arbóreo urbano depende não apenas da presença de árvores, mas da interação entre a arquitetura da copa, a fenologia das espécies e o contexto urbano em que estas se inserem. Neste contexto, o presente estudo apresenta a primeira sistematização conceptual da distinção entre "sombra quente" e "sombra fresca", entendidas como categorias analíticas para interpretar o desempenho térmico diferencial da vegetação urbana. A investigação baseia-se em medições in situ da temperatura do ar (2022–2024), com dataloggers instalados sob copas de espécies caducifólias e perenifólias, em espaços verdes e áreas mineralizadas, considerando variabilidade sazonal e estratificação térmica vertical (3 m e 6 m). Os resultados mostram que a eficácia climática do coberto arbóreo resulta da interação entre densidade da copa, fenologia, altura de medição e características das superfícies envolventes. Espécies caducifólias com copas densas, como Quercus robur, revelam maior capacidade de arrefecimento no verão, embora a perda de folhagem altere o comportamento térmico no inverno. Em contextos fortemente impermeabilizados, a sombra pode não reduzir significativamente a temperatura do ar, devido à acumulação e reemissão de calor pelos materiais urbanos. A distinção entre "sombra quente" e "sombra fresca", operacionalizada através de diferenças térmicas relativas (ΔT), constitui uma ferramenta analítica útil para interpretar a variabilidade térmica intraurbana. A triangulação entre dados empíricos, estrutura da vegetação e contexto urbano reforça a robustez interpretativa dos processos microclimáticos. Estes resultados têm implicações diretas para o planeamento urbano, sublinhando a necessidade de integrar critérios bioclimáticos na seleção de espécies e na organização da infraestrutura verde, superando abordagens baseadas exclusivamente na quantidade de árvores.

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Publicado

2026-07-24