Projetar Pátios Escolares Resilientes ao Clima: Estudo de Caso Microclimático do Stress Térmico Exterior numa Cidade Mediterrânica (Coimbra, Portugal)

Autores

  • Joaquim Francisco P. Fialho Universidade de Coimbra
  • José Miguel Lameiras Universidade do Porto - BIOPOLIS/CIBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos
  • Carolina Coelho Universidade de Coimbra, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação https://orcid.org/0000-0002-3538-1603
  • António M. Rochette Cordeiro Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Interdisciplinares – CEIS20

DOI:

https://doi.org/10.14195/0871-1623_53_6

Palavras-chave:

Stress térmico exterior, UTCI, SOLWEIG, Clima mediterrânico, Microclima no pátio escolar

Resumo

O conforto térmico exterior em pátios escolares mediterrânicos tem vindo a ser progressivamente comprometido pela conjugação das alterações climáticas, das características construtivas do século XX e da insuficiente integração da componente vegetal no desenho dos espaços. O presente estudo procura quantificar as condições térmicas exteriores na Escola Secundária José Falcão (Coimbra, Portugal), mediante a aplicação do modelo microclimático SOLWEIG, integrado na plataforma UMEP. A reconstituição morfológica do sítio, suportada em dados LiDAR de elevada resolução (0,3 m), bem como o forçamento meteorológico observado in situ a 9 de maio de 2024, permitiram a simulação horária da temperatura radiante média (Tmrt), do Universal Thermal Climate Index (UTCI) e da temperatura da superfície do solo (Ts) em nove Pontos de Interesse. Os resultados obtidos evidenciam um gradiente médio diário de Tmrt da ordem dos 25 °C, contrastando as copas densas (≈31 °C sob Eriobotrya japonica e Tilia spp.) com o campo desportivo asfaltado (≈51 °C). A regressão UTCI = 15,43 + 0,349 · Tmrt (R² = 0,94) demonstra que, sob condições de céu limpo, a Tmrt explica, isoladamente, 94% da variabilidade espacial do UTCI. As superfícies em s excedem o limiar de risco de queimadura cutânea de 55 °C (ASTM C1055-20) durante três horas consecutivas, acumulando até onze horas de stress térmico forte a muito forte. Contudo, este caso manifesta um paradoxo de acessibilidade: os espaços termicamente mais favoráveis -se institucionalmente vedados ao usufruto dos alunos. Sustenta-se, com base nestes resultados, uma estratégia híbrida verde-cinzenta, articulando a abertura dos refúgios térmicos existentes, a conversão de áreas asfaltadas em zonas arborizadas com espécies caducifólias, a aplicação de revestimentos de elevado albedo e a implementação de estruturas de sombreamento vegetadas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Downloads

Publicado

2026-07-24