As torres de A ilustre casa de Ramires: entrecruzamento entre história e ficção
DOI:
https://doi.org/10.14195/3051-8601_31_9Palavras-chave:
Torre, história, ficção, romance, escritaResumo
No Tarot, o XVI Arcano Maior é representado pela carta A Torre que, simbolicamente, pode remeter às ruínas do indivíduo, na condição de sujeito inscrito na história e à reedificação do “eu” que, a partir dos escombros do passado, tem a possibilidade de se reconstruir como sujeito do discurso narrativo que elabora. No romance A ilustre casa de Ramires, a Torre, espaço privilegiado pela personagem Gonçalo, é um importante cronotopo para pensarmos elementos que, como Paul Ricoeur sistematiza em Tempo e narrativa, organizam o espaço onde ocorre, essencialmente, o entrecruzamento entre a história e a ficção. Nessa perspectiva, o objetivo deste trabalho é analisar os movimentos que tensionam o discurso histórico ao ficcional, contemplando, sobretudo, a oficina da criação queirosiana mimetizada pela personagem que, neste enredo, assume a tarefa de conduzir o leitor pelas peripécias da escrita.
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