INTIMA MENTE

  • Alfredo Costa Monteiro

Resumo

A estrutura de íntima mente obedece a uma lógica não só fonética mas também semântica. As palavras são utilizadas pelas suas caraterísticas e similitudes sonoras e pelas suas possibilidades polissémicas.

Assim, o texto vai evoluindo não só por um método de construção que tem que ver com o poético, mas sobretudo por uma organização sonora feita de jogos de palavras, de assonâncias, consonâncias ou aliterações. É o som a apoderar-se do sentido.

Este método que busca a palavra dentro da própria palavra leva também a vestígios de narração que, neste caso, falam do que está oculto por detrás da linguagem, do que diz o que não sempre se ouve, do que às vezes emerge do que pensamos ser.

Uma voz solta lá por dentro da própria voz.

Todos os sons utilizados  são o resultado de manipulações sonoras de três parâmetros: distorção, tom e reverberação, a partir da voz principal.

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Biografia Autor

Alfredo Costa Monteiro

Alfredo Costa Monteiro nasceu em 1962 no Porto mas cedo se mudou para França onde estudou escultura em Paris. Vive e trabalha em Barcelona desde 1992, focando-se principalmente na música experimental, improvisada e na poesia visual e sonora. Musicalmente trabalha com o acordeão, gira-discos, electrónica, guitarra e objetos ressonantes para criar peças que alternam entre o silêncio e o ruído mais áspero sempre com atenção detalhada à textura, dinâmica e tensão. As suas criações sonoras, quer compostas quer improvisadas, tendem a partilhar processos instáveis, materiais e gestos em bruto e restrições conceptuais. Com vários discos editados em editoras de todo o mundo, além do trabalho a solo, colabora frequentemente com outros músicos e faz parte de vários grupos de improvisação.

No campo da poesia sonora, trabalha sempre em contextos onde a palavra se torna som e procura uma nova semântica, uma multiplicidade de sentidos. A voz perde o seu sentido literal, redefinindo simultaneamente as condições da sua origem, da sua propagação mas também da compreensão daquele que a ouve. O discurso fragmentado, a linguagem no limite: uma experiência de teste à realidade redefinida por um instinto primitivo, gutural, a partir de poemas originais em português, espanhol e francês.

Publicado
2017-12-27
Secção
Mediarama | Mediascape