N.º 6 (2018): Personagens mediáticas: teoria, problemas, análises
O desenvolvimento que os estudos narrativos conheceram, nos últimos anos, baseou-se em relevantes contributos teóricos, em propostas de trabalho analítico e em mutações epistemológicas e operatórias que recuperaram, para o centro da análise, uma categoria descuidada durante décadas: a personagem. É sobretudo a partir de final da década de 90, quando o campo dos estudos narrativos se afasta da matriz estruturalista da narratologia, que se dá início a uma significativa produção em torno da personagem. Desde então, a área disciplinar dos Estudos Narrativos tem vindo a abrir gradualmente o seu campo de estudo, acompanhando a evolução tecnológica dos modos de produção narrativa bem como as alterações dos hábitos de consumo cultural. Se, durante décadas e sob o magistério de Gérard Genette, a narrativa literária foi o objeto principal da narratologia, com a valorização de outras formas narrativas e linguagens, a investigação tem vindo a dedicar-se a estes novos fenómenos culturais: do cinema à literatura digital, dos videojogos à s reportagens multimédia, das radionovelas à fotografia, das telenovelas à s narrativas transmedia. Estes novos olhares, sobretudo emergentes no final do século XX, são vistos como "a viragem narrativa das humanidades" por autores de referência como Martin Kreiswirth (1994).
