O desenvolvimento que os estudos narrativos conheceram, nos últimos anos, baseou-se em relevantes contributos teóricos, em propostas de trabalho analítico e em mutações epistemológicas e operatórias que recuperaram, para o centro da análise, uma categoria descuidada durante décadas: a personagem. É sobretudo a partir de final da década de 90, quando o campo dos estudos narrativos se afasta da matriz estruturalista da narratologia, que se dá início a uma significativa produção em torno da personagem. Desde então, a área disciplinar dos Estudos Narrativos tem vindo a abrir gradualmente o seu campo de estudo, acompanhando a evolução tecnológica dos modos de produção narrativa bem como as alterações dos hábitos de consumo cultural. Se, durante décadas e sob o magistério de Gérard Genette, a narrativa literária foi o objeto principal da narratologia, com a valorização de outras formas narrativas e linguagens, a investigação tem vindo a dedicar-se a estes novos fenómenos culturais: do cinema à literatura digital, dos videojogos às reportagens multimédia, das radionovelas à fotografia, das telenovelas às narrativas transmedia. Estes novos olhares, sobretudo emergentes no final do século XX, são vistos como “a viragem narrativa das humanidades” por autores de referência como Martin Kreiswirth (1994).

Publicado: 2018-06-30

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