• Reinventando Pactos Globais para a Ética da Comunicação e do Jornalismo
    n. 9 (2019)

    É uma evidência que as tecnologias da era digital estão ainda longe de ter cumprido as suas melhores promessas, sobretudo agora que dela já conhecemos alguns dos seus efeitos perversos. A tal ponto esta realidade se coloca nos nossos dias que, por vezes, parece que a reflexão acerca dos desafios do jornalismo, da comunicação e da esfera pública no mundo contemporâneo mais não faz do que revisitar paradigmas do passado, numa espécie de passeio teórico-saudosista. O equívoco suscitado por esta primeira observação resulta, em grande medida, da constatação das rápidas transformações que  as tecnologias de comunicação e da informação estão a produzir nas sociedades e à escala global, não obstante as suas diferentes e paradoxais formas de recetividade, de utilização e de apropriação.

  • Media, comunicação e desporto
    n. 8 (2019)

    O desporto continua (ainda) a ser refém de diversos estigmas e a sofrer de um certo isolamento académico quando se cruza com as ciências sociais e humanas. Dedicar um número da revista Mediapolis à relação entre desporto, mediae comunicação é, em si mesmo, uma aposta audaz, sobretudo no contexto académico português. De um lado continuamos a ter uma academia herdeira de uma tradição dos estudos anglo-saxónicos sobre desporto, cristalizados nas décadas de 60, 70 e 80 do século XX, acostumada a associá-lo aos conceitos de ordem, disciplina e alienação das massas. O desporto ficaria assim “arrumado” epistemologicamente nos campos do tempo livre e do lazer, passando a ser entendido como um tema marginal, afastado das temáticas importantes que regem a vida social. Por outro lado, no campo ocupado pelos media, jornalismo e comunicação assistimos a um crescimento exponencial ao longo dos séculos XX e XXI, muito embora se persista em olhar o desporto como um assunto menor em termos informativos quando comparado com temas considerados socialmente mais relevantes, como a política, a economia ou a diplomacia, por exemplo. As largas audiências geradas pelo desporto – e a própria massificação (popular e mediática) que lhe está associada – levou ao afastamento de uma parte da comunidade intelectual, avessa a este género de fenómenos, apelidados, tantas e tantas vezes, de forma pejorativa, como de “massas” e “baixa cultura”.

    O desafio deste número é precisamente o de demonstrar, mais uma vez, o quanto o desporto pode e deve constituir-se num objeto de pesquisa e investigação no âmbito académico e científico, dada a sua plasticidade social e apelo a abordagens interdisciplinaridades e/ou multidisciplinaridades. Fenómeno nascido no século XIX e popularizado no século XX, o desporto chegou ao novo milénio como elemento criador de modas e comportamentos à escala global, assumindo-se como um “facto social total” digno de reflexão por parte das Ciências Sociais e Humanas, e das Ciências da Comunicação.