Nunca como hoje os territórios interdisciplinares da pesquisa em comunicação, media e género se intersetaram de forma tão significativa e profícua. Com raízes fora da academia, o investimento na compreensão e superação das desigualdades entre homens e mulheres coexiste, influencia e é influenciado pelo trabalho académico no domínio das minorias sexuais. Por sua vez, este traz à colação as pretensões de movimentos políticos que, tal como o feminista, se preocupam com as implicações da diferença na vida quotidiana dos indivíduos. O reconhecimento do género como uma construção social dinâmica e imersa em relações de poder (ex. Butler, 1990, 2004), por oposição ao essencialismo das conceções biológicas e estanques da identidade, tem permitido questionar como o género é representado, vivido e experienciado de formas muito diversas. São tanto formuladas questões a partir de posicionamentos comprometidos com a dissolução e desnaturalização da rigidez das categorias sociais culturalmente impostas, à semelhança do que fazem os estudos queer (ex. Warner, 1993), como tendo por base a procura de modelos e esquemas capazes de conduzirem a uma política de representação identitária mais justa. É sob este horizonte que se interrogam as condições do acesso aos media e ao espaço público mais amplo por parte das mulheres e de outros grupos com menor status (ex. Alwood, 1996; Gross, 2001; Carter, Steiner & McLaughlin, 2014; Lind, 2017).

Publicado: 2018-12-28

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