Cultura, distinção social e poder local: a Sociedade de Concertos da Madeira (1943-1974)

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DOI:

https://doi.org/10.14195/0870-4147_57_14

Palavras-chave:

Sociedade de Concertos da Madeira, Institucionalização cultural, Poder local, Sociabilidade elitista, Estado Novo

Resumo

A Sociedade de Concertos da Madeira, fundada em 1943 por Luiz Peter Clode e por um núcleo restrito de elites políticas, económicas e intelectuais locais, constitui o objeto de análise deste artigo, em que se acompanha a sua trajetória até à rutura provocada pelo 25 de abril de 1974. A investigação evidencia como esta instituição privada se consolidou como um espaço estruturado de produção, fruição e legitimação cultural, desempenhando um papel central na institucionalização da música erudita numa região periférica marcada pela insularidade e pela centralização das políticas culturais do Estado Novo.

Com base na análise de documentação de arquivo e de imprensa periódica, demonstra-se que a Sociedade de Concertos da Madeira funcionou como um dispositivo de sociabilidade das elites regionais, contribuindo para a formação de públicos e para a afirmação de mecanismos de distinção social. A sua atividade incluiu a organização regular de concertos com intérpretes nacionais e internacionais, a fundação da Academia de Música da Madeira, a colaboração com instituições culturais nacionais e estrangeiras e a promoção de festivais e publicações culturais. Este estudo sublinha, assim, a relevncia das dinmicas culturais locais e regionais na configuração do campo cultural português do século XX.

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Publicado

2026-07-30

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Artigos