“Como se calça uma pessoa que vai escrever?”

A autorrepresentação cangiante em Maria Velho da Costa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14195/0870-4112_3_11_12

Palavras-chave:

autorrepresentação, paródia, variação, liberdade, ficção

Resumo

Este trabalho propõe os escritos da personagem Elisa, em Casas Pardas, como ensaio transgressivo do seu autorretrato, delimitando, ulteriormente, a conceção de escrita de Maria Velho da Costa. Ao produzir um discurso intertextual pela apropriação de vários registos, Elisa subverte a natureza autoritária e fixa da língua, operando sobre a gramática social e o discurso representacional da mulher, sobretudo enquanto pessoa escrevente. Como prefiguração de um ato artística e socialmente interventivo, tal gesto sublinha a manipulação do autorretrato como lugar libertário. Tal movimento não deixa de dialogar com o exercício instaurado pelas Três Marias em Novas Cartas Portuguesas, o qual parte justamente da noção de reconhecimento do rosto para, na sua contrafação, desvelar a condição das mulheres no século XX.

Downloads

Não há dados estatísticos.

##submission.downloads##

Publicado

2025-12-28

Edição

Secção

Artigo