O ARQUIVO MUNICIPAL DE FERREIRA DO ALENTEJO: EDIFÍCIO PÚBLICO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

  • Edeltraud Vera Schmidberger SLA – Schmidberger & Lobo Antunes, Arquitectos Associados, Lda.
Palavras-chave: construção eco-eficiente com taipa, adobe, argamassas e rebocos de terra

Resumo

Este artigo é uma breve reflexão sobre a utilização da terra crua na arquitectura contemporânea, apresentando alguns dos princípios da construção ecológica que se concretizam no uso deste material natural na edificação.

O caso da construção do edifício do Arquivo Municipal de Ferreira do Alentejo, aponta claramente para os pontos mais frágeis do mercado da construção civil em Portugal, quando se trata da realização de um edifício de cariz sustentável com a utilização de materiais de construção à base de terra crua.

O edifício foi executado com a utilização de adobes em todas as paredes interiores e na face interior das paredes exteriores. Existem ainda duas paredes de taipa à vista, que apoiam o sistema de ventilação natural para além de estabilizarem o clima interior com a sua elevada inércia térmica. O ar que circula por detrás destas paredes, é naturalmente arrefecido no verão e temperado no inverno. Este sistema é baseado na circulação de ar por meio de chaminé solar com elevada inércia térmica. Os rebocos foram preparados em obra à base de pastas de terra e de terra e cal hidratada conforme ensaios preparados pelo Projectista.

Apesar do Projecto ser elaborado antes da entrada em vigor do D.L. nº 80/2006 de 4 de Abril (RCCTE), foram considerados para as paredes exteriores valores de transmissão térmica de U = 0.75W/m2ºC. O edifico será monitorizado para analisar a sua “performance” quanto à eficiência energética.

O objectivo desta comunicação é:

- Demonstrar que mesmo em edifícios públicos é possível criar obras que empregam terra crua para assegurar as condições de conforto e a qualidade do ambiente interior, usufruindo em simultâneo do valor estético deste material;

- Apontar para a natureza de problemas que podem surgir para os Construtores e Projectistas quando confrontados com a execução de obras consideradas “fora dos métodos de construção comuns” em Portugal e apontar vias alternativas para a solução dos mesmos.

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Publicado
2012-12-06