Revisitar o estudo dos pesos de tear de Castelo Velho de Freixo Numão. As deposições como uma antologia de existências

  • Sérgio Gomes Universidade de Coimbra
Palavras-chave: pesos de tear; recintos murados; Pré-história Recente; contexto; deposição; narrativa

Resumo

Neste texto é reavaliado um trabalho anteriormente apresentado acerca dos pesos de tear do recinto de Castelo Velho de Freixo de Numão (Gomes 2013). É discutido o modo como tal trabalho desenvolve a análise dos contextos onde aparecem este tipo de artefactos e as conclusões a que se chegou em tal análise. A partir da ênfase que foi dada à prática de deposição na interpretação dos contextos, salienta-se que não foram exploradas as possibilidades interpretativas que as deposições comportavam enquanto uma unidade do registo arqueológico. Com efeito, a argumentação suspende a interpretação das deposições a uma escala contextual, subindo à escala do recinto para posicionar as práticas de deposição no quadro de relações intra e inter-comunitárias que estariam associadas à sua construção. Neste movimento, é reproduzido um esquema narrativo que tem privilegiado a ação de outras entidades (a arquitetura e a cerâmica, por exemplo) como estratégia de organizar a narrativa. Para além disto, este movimento também parece ignorar que as práticas de deposição – enquanto práticas de consignação de diferentes elementos – fazem emergir novas entidades, que teriam participado na cena social das comunidades pré-históricas. Face a isto, defende-se que é necessário reorientar a análise e os esquemas narrativos para recriar o lugar destas existências nas narrativas que produzimos sobre a pré-história.

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Publicado
2019-07-02