Eficácia do mito no domínio ético-político

ainda sobre o mito da caverna de Platão

Palavras-chave: mito, Platão, caverna, catábase, tradição Órifco-Pitagórica

Resumo

se com uma breve reflexão sobre o mito e o papel que tem exercido na filosofia desde a antiguidade grega clássica. Partimos da consideração de sua relevância na obra de Platão, em que emerge como narrativa vigorosa e persuasiva e, por vezes, indissociável do logos enquanto recurso de suasão na polis. É primordial nos ater no conhecido mito da caverna. A despeito da indiscutivelmente ampla e profunda investigação já procedida por inúmeros intérpretes na história exegética do diálogo A República, consideramos que há um veio inesgotável a ser explorado, diante dos desafios permanentemente recolocados por este instigante mito platônico. Buscamos nele riquezas oriundas de uma leitura escatológica do mito, apontando para a descida ao mundo dos mortos – catábase – como um itinerário místico-filosófico e para a efetividade da mensagem política contida no diálogo. Explicitamos que aqui se leva em conta a Atenas dos séculos V e IV a.C., com sua religiosidade, cultura e instituições políticas,  uma vez que se considera que a contextualização da narrativa no seu ambiente histórico-cultural, tanto como o entendimento de sua forma literária, são imprescindíveis para se vislumbrar sentidos e apreender, de forma rigorosa, sua singularidade. Nessa abordagem metodológica, a influência da tradição Órfico-Pitagórica nos faculta retomar o pensamento platônico, notadamente na sua dimensão ética, em que a concepção sobre imortalidade da alma configura uma certa representação da vida e da morte.

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Biografia Autor

Gabriele Cornelli, Universidade de Brasília

É Professor Associado da Universidade de Brasília e docente do Programa de Pós-Graduação em Metafísica na mesma Universidade

Publicado
2020-05-27
Secção
Artigos