Eu preferia não virar a página: Ler e Escrever no Espaço Digital Ilimitado

Palavras-chave: superfícies de leitura, convenções gráficas, página, rolo, enquadramento

Resumo

Os limites da página foram sendo historicamente marcados pelas restrições dos materiais em que o texto é inscrito. Na era digital, esses materiais deixaram de impor um limite físico, e os limites estão mais ligados às nossas práticas e convenções de leitura estabelecidas. No entanto, continuamos a ter que aceder ao texto em porções finitas — não conseguimos processar a infinitude textual que o espaço digital ilimitado permitiria. Assim sendo, surgem noções como as de janela ou frame (enquadramento), para tornar esse espaço ilimitado legível — à semelhança da prática antiga de ler e escrever em rolos (scrolls), que continham textos longos, mas eram lidos porção por porção. Hoje em dia, já não viramos simplesmente uma página deixando-a para trás; a nossa perceção é a de um constante reposicionar do enquadramento. Para questionar esta transição e as suas implicações, observaremos uma edição digital e outra em papel de Bartleby, the Scrivener por Herman Melville.

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Publicado
2018-08-10
Como Citar
Sabino, Ana. 2018. Eu Preferia Não Virar a Página: Ler E Escrever No Espaço Digital Ilimitado. MATLIT: Materialidades Da Literatura 6 (1), 135-48. https://doi.org/10.14195/2182-8830_6-1_9.
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