A Condenação da Action Française Por Pio XI
Repercussões em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.14195/2183-8925_29_20Resumo
Em 1926, a condenação da Action Française por Pio XI lançou o desassossego entre os católicos no interior e no exterior da França.
Portugal não escapou a esse clima de intranquilidade, pois também aqui Charles Maurras tinha os seus discípulos. Defendendo os valores tradicionais assentes num catolicismo integrista e num patriotismo xenófobo, o doutrinador combatia o republicanismo laicista, o socialismo ateu, a democracia e o liberalismo. Discípulo de Comte e de Darwin, Maurras recorria à biologia para explicar as desigualdades naturais entre os indivíduos, procurando demonstrar que a tão proclamada igualdade entre os homens - que constituía a bandeira de liberais e socialistas - era um mito. O que não impediu que procurasse chamar a si as classes populares ensinando que, como todas as conquistas liberais da revolução de 1789, a liberdade do trabalho nada mais fizera que consagrar a liberdade do mais forte(1). O corporativismo seria a única forma de garantir a segurança ao trabalhador e impedir a guerra entre as classes sociais(2). Acreditando que a sociedade era hierárquica, o movimento tinha muito de aristocrático e lutava por uma ordem temporal que assegurasse o governo dos intelectuais, ou seja, o domínio dos príncipes do pensamento, da arte, da beleza.
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