A epipolesis “ receção de um discurso de origem homérica pela historiografia portuguesa de Quinhentos

Autores

  • Luís Henriques Instituto Politécnico de Portalegre; Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.14195/2183-1718_70_5

Palavras-chave:

epipolesis, historiografia, retórica, exemplaridade, século XVI

Resumo

Este artigo aborda, de forma breve, a receção de um tipo de discurso que remonta à épica homérica pela historiografia portuguesa do século XVI: a epipolesis. Numa época de emulação, os historiógrafos quinhentistas fizeram das suas obras não só repositórios da memória passada, mas também composições elevadas e eruditas em que a retórica desempenhou um papel determinante. Tal como na Antiguidade, assiste-se à progressiva dramatização das obras historiográficas, com a inserção de impressivas descrições de batalhas e de discursos, como a epipolesis. Na circunstncia, este tipo de discurso imprime enargeia à s ekphraseis em que se enquadram, já que um capitão, proferindo um discurso exortativo enquanto avança pelas alas do seu exército, contribui não só para a consagração do seu estatuto de ótimo general, como provoca comoção nos leitores destas narrativas. Assim, do ponto de vista metodológico, um corpus de discursos identificado na historiografia portuguesa quinhentista é analisado tipológica e diferenciadamente de acordo com fatores como a superfície terrestre ou marítima em que os ditos discursos são pronunciados. Em seguida, o mesmo corpus será analisado de acordo com os princípios metodológicos aplicados por Longo (1983) aos discursos de Tucídides que, atendendo à sua pronunciação, podem ser unitários ou diferenciados dependendo da homogeneidade ou heterogeneidade qualitativa do auditório.

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Publicado

2017-11-08

Edição

Secção

Artigos